terça-feira, 5 de agosto de 2008

Bertrand Russell

"There is much pleasure to be gained from useless knowledge."

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

¬¬

Cheguei do almoço com a pança cheia. A calça já tá um tantinho justa em função dos 4 malditos quilos que ganhei desde que comecei o estágio.

"Acho que vou abrir a calça um pouquinho..."

BAD BAD IDEA, LOSER!

tuuu-tuuu (telefone toca. chamada interna.)

- Alô.
- Oi, sou eu. (BIA)
- Fala, monstra.
- Vou mandar imprimir umas paradas aqui da faculdade... Pega pra mim aê!
- Não, manda agora não que tem gente lá...
- Tá.
- ...
- ...
- Tá, pode mandar.
vvvvv... vvvvv... (imprime)
- Esse aqui é o seu blog?
- É pô.
- Você escreve anonimamente?
- Não, Bia. Tá vendo a foto da bunda da Mischa Barton?
- Hã...
- Tem uma fotinho minha do lado...
- Ah, é...
- Sua múmia.
- AEHUHEUAEAEHUEA... Vou mandar o resto...
- Tá.
vvvvv... vvvvv... (imprime)
(olho para o lado, Paty-fofoqueira na impressora)
- Ih CARALHO!Peraí...
(largo telefone)
(levanto correndo - OBS: calça aberta + calcinha BEGE aparecendo.)
(o chefe sai da sala na minha direção)

¬¬

- Tá, Bia, peguei já.
- Valeeeu.

¬¬³

toc toc toc toc (salto da Bia)

- Bia, QUE QUE TU TA FAZENDO AQUI EM CIMA?

¬¬³²³²³²³²

menos 3?

Já deve fazer um mês qua não volto de metrô. Motivos óbvios: estação Carioca às 18h. Como fiquei pelo Centro até 19:30h e queria chegar rápido em casa, pensei: "Por que não o metrô?".

Pois bem. Lá estava eu. Tentando ler o 3º best-seller do mês, de pé, um pouco apertada entre as pessoas. E foi quando eu reparei.

Em um dos bancos cor de laranja, um senhor de uns 60 e poucos anos segurava uma menina no colo. Dormia tranqüila com a cabeça encostada no ombro dele, totalmente alheia ao cansaço ao redor. Ele passava mão em seus pouquinhos fios de cabelo fininhos de bebê. Uns 5 minutos depois eu notei que faltavam na mão dele as primeiras falanges de 3 dedos - polegar, indicador e médio.

Mas,

que diferença isso faz(ia) para ela?

terça-feira, 29 de julho de 2008

na capela

1. você tem 8 anos.
2. você tem 8 anos e está na capela da sua escola de freiras.
3. você tem 8 anos, está na capela da sua escola de freiras e são 13:30h da tarde.


"Vamos fazer um exercício de meditação. Feche os olhos. Você vê uma casa. Você vai lentamente entrando na casa..."

Sou eu. Sou eu de pé, mas não me lembro a minha altura. Provavelmente mais alta do que eu era. Eu olho pros lados e vejo. Uma floresta e um pedaço descampado. E no meio a casa. Era uma casa pequena e amarela com um telhado de telhas que de tão novas eram quase vermelhas. Agora não tenho certeza da cor das paredes. Tudo bem, eu chego até a porta. É uma porta de madeira e quando eu a abro vejo que do outro lado da casa na mesma direção também tem uma porta que está aberta. Vejo a luz entrando fazendo um reflexo meio de lado, formando um corredor. Eu olho e me vejo de pé do outro lado.

"Vá entrando em todos os cômodos da casa..."

Eu ando. Viro para a esquerda e vejo um quarto não muito grande e decido entrar. Tem uma cama de casal, com uma colcha de patchwork claro, um armário antigo e uma penteadeira. Tudo em madeira clara com nós castanhos. A cortina é verde claro. Eu saio. Entro no quarto em frente. Nada. Olho pro lado. Nada. Tudo é branco brilhante. Decido sair pra não me cegar com aquela claridade.

Abro os olhos por um segundo, como se tentasse fugir um pouquinho da luz e estou de novo na capela. Todos estão de olhos fechados, inclusive a professora-irmã. Pela báscula no alto da parede eu vejo o sol tinindo lá fora e uns pombos no telhado. Olho ao redor e vejo umas imagens. Só elas e eu tinham os olhos abertos. Encarei-as, mas acho que elas não gostaram muito.

Fugi do branco e segui em frente. Me vi de novo diante da porta dos fundos, mas já não havia ninguém lá de pé. Quando passei do portal, vi um campo de flores e a floresta lá no fundo. Eram tantas flores que por pouco não notei uma pessoa sentada no meio delas. Fui andando tentando não machucar as pétalas. Vi uns cachos escuros e uma camisa branca e vi meus dedinhos se esticando pra encostar neles.

"Agora vamos relaxar e nos concentrar na luz que entra pela janela..."

Luz? Que luz? Janela? Não. Ei. Peraí.


4. você tem 8 anos, não se esqueça.

domingo, 25 de maio de 2008

in the back seat

(00:50) Deixa de besteira vai... Eu sei que você não tá falando sério. Volta aqui... Abre os olhos vai... Pára de besteira. Você disse que tinha uma coisa importante pra me contar. Hein? Eu tô aqui. Aonde você vai? Tô ouvindo um barulho estranho... Peraí!, (2:00) volta, não me deixa aqui sozinho. Tá escuro. Tá muito frio. Cadê você? Cadê a luz? Que barulho é esse? (2:29) Peraí! quem é você? Eu não sei quem você é. Sai daqui! Me deixa em paz! Sai! Sai! Me solta! Pára! Eu não quero você aqui. Traz ela de volta. O que foi que você fez com ela? Cadê? Alguém me ajuda. Tô com muito frio. Tô com sede. Não consigo ouvir nada. (03:02) Olha lá! Olha, é aquela moça ali. Chama ela, chama ela! (03:28)Volta aqui, volta... Eu prometo, eu prometo. (03:40)Não me deixa aqui sozinho. Fala comigo. Ei. Fala alguma coisa. Por que o silêncio? Deixa de besteira vai... Eu sei que você não tá falando sério... (04:09)

quinta-feira, 22 de maio de 2008

então

E quando acordou de manhã já não sentia mais a raiva do dia anterior. Na verdade, o que latejava era uma vergonha absurda de tudo o que tinha dito. Da situação que criou para si mesma, que sabia que poderia acontecer, mas que por vã inocência ainda cria na possibilidade de mudar. Porque no fundo sempre soube que ninguém muda ninguém e, no entanto, insistiu em tentar, fingindo que não se incomodava, não se importava, que era superior àquilo, que tinha aprendido a lidar com tudo.

*

E quando o cachorro latiu lá fora, já sabia o que lhe esperava. Um pedido de desculpas gordo de tanto pesar, mas que já não surtiria mais efeito algum. Porque depois de tantas vezes ralar o mesmo joelho, abrindo a ferida sem mesmo curá-la, não haveria mais remédio que pudesse fechar a carne viva sangrando.

*

E quando sentiu o cheiro de café, levantou correndo da cama. Ao entrar na cozinha, a viu. Os cabelos molhados ainda pingavam na camisa que roubara caída no chão do quarto e que a engolia fazendo quase um vestido. E não esperava nada mais a não ser que ela pulasse em seu pescoço, cruzando as pernas ao redor de sua cintura, com o gosto do café melado e da manteiga que escorria do pão.

*

E quando chegou em casa quase não pôde acreditar. Os armários vazios não deixavam dúvidas de que realmente havia partido. Sem volta. Sem retorno. Sem adeus. Sem olhar de despedida. Sem gritos. Sem ofensas. Sem última transa. Sem levar os vícios, as viagens, os sorrisos e o par de chinelos verdes de que tanto gostava.

*

E quando o ano virou as lágrimas escorreram sem entender o porquê. Olhou para os lados, viu todos e não reconheceu ninguém. Talvez porque os olhos estavam turvos. Mas muito mais provavelmente porque sabia que faltava alguém que ainda iria conhecer.



terça-feira, 13 de maio de 2008

constantly talking isn't necessarily communicating

Queria te dizer que é muito bom gostar de você. Eu queria te dizer isso. Mas eu deixei pra lá. Pois é, ontem eu acho que preferi guardar pra mim. Medinho, né? O que é uma pena, porque hoje eu já não tenho certeza. É, eu acho que é isso. Não, não, tá tudo bem. De verdade. É só essa dúvida que me corrói. Ah, esse friozinho na barriga né? Então. É isso. Me liga mais tarde? Preciso te contar uma coisa. Enfim. (Será que eu mudo de idéia até lá?).


¬¬

quinta-feira, 8 de maio de 2008

and here we go again

Prazer, meu nome é Roberta. Hoje eu descobri que só nos Estados Unidos estima-se a existência de 13 pessoas com os mesmos nome e sobrenome que eu. Eu tenho 23 anos e me sinto velha. Às vezes eu não consigo me imaginar com 50 anos. Tá, eu nunca consigo me imaginar com 50. Acho que não preciso também. Eu mudei de casa 5 vezes em 3 anos; consegui voltar para o mesmo bairro. Eu tenho um carro e o nome dele é Euclides. Euclides da Cunha. Uma homenagem a uma camisa que a Ju tinha quando a gente não podia nem imaginar que eu teria um carro. A Ju é o meu rolinho de sofá. E metade do meu coração.

Eu tenho um casal de irmãos que são a minha família. Amo vacas. Gosto de dançar e de ouvir música. Gosto também de teatro, mas não tanto quanto gostaria. Prefiro o cinema. Adoro dramas. Talvez para não me sentir tão só na minha melancolia. Ela me persegue. Adoro. Gosto de dias de outono como os dessa semana.

Eu sempre acho que não tenho amigos, mas no fundo eu tenho. Eu só cobro demais deles. Na verdade, eu cobro demais de mim mesma. Eu crio verdades e as sigo. Sabe como é, "uma mentira repetida com veemência...". Eu não me permito. Crio barreiras. Tenho paciência com quem não merece. Tenho mania de cuidar dos outros; sentimento materno maldito.

Finjo que sou forte pra caralho. Sou insegura. Pra caralho também.

Fiz uma dieta. HOHOHOHO! Estava gordona e perdi 8kg. Até que perdi mais do que imaginava. Agora nem lembro mais de como era estar com aqueles bracinhos gorduchos. Mas só consegui por causa da Maulinha. Ela me incentivou.

Eu adoro viajar, mas também não viajo tanto quanto gostaria. Nunca andei de avião e também não faço idéia de quando isso irá acontecer.

Eu levei 6 pontos na mão direita quando eu tinha 3 anos. Escorreguei numa microgotícula de água e cai com um copo de vidro na mão. Nunca quebrei nenhum osso, mas tenho um dedo meio tortinho na mão direita. Jogando basquete. Sinto falta de jogar. Aliás, sinto falta de ter 14 anos, mas isso é passado.

Tenho fumado demais essas semanas e isso não é NADA legal. Eu gosto de fumar; tem gente que não acredita.

Eu fui apaixonada por um professor na faculdade. Mas eu tinha 19 anos e ele é gay. Foi uma das poucas matérias que eu prestei atenção na PUC. Acho errado esse negócio de ter que entrar na faculdade com 17 anos. Eu hoje sou bem mais feliz estudando e não é só porque descobri algo para que tenho talento. É porque nada paga o tempo e as coisas pelas quais a gente passa.

É eu acho que tenho talento. Na verdade, são poucas as coisas que eu acho que faço bem. Essa eu ainda não faço, mas em 3 anos estarei lá assinando petições. Eu não gosto de ser elogiada, mas gosto de ser reconhecida. Não é a mesma coisa. Até porque, nem sempre um elogio é verdadeiro, enquanto o reconhecimento não necessariamente se traduz em palavras.

Não gosto de emprestar minhas coisas, a não ser que EU ofereça. Ou que eu esteja de bom humor. Durmo tarde e não consigo acordar cedo. Tenho medo de escuro e não gosto de dormir sozinha no quarto com a luz apagada. Eu me escondo com meu cobertor. Ele é super poderoso e sempre me salva das almas penadas.

Não uso saltos. Acho deselegante e machuca meus pezinhos 39. Além disso, não sei andar muito bem em cima deles. Prefiro os tênis. São macios e quentinhos.

Falo inglês razoavelmente bem e fingi ser professora por dois anos. Aprendi muito mais do que ensinei. Estava estudando espanhol, mas vou dar preferência ao francês semestre que vem. Um dia, oxalá, falarei inglês, francês, espanhol, alemão e italiano. Planos para um futuro bem distante.

Não uso cabelo comprido. Sinto muito calor. Cortei a primeira vez aos 14 e em 10 anos só deixei crescer uma vez. É uma briga, porque as opiniões se dividem, "curto é melhor", "comprido é mais bonito". No momento, estou escolhendo o mais prático.

Não sei falar de mim. Só contar causos. Só consigo mesmo com a minha querida psicóloga, mas, no momento, não estou podendo ir. Contenção de despesas. Duas sessões por semana está meio caro.

Sou louca por palavras cruzadas e amo ler. Choro e tudo. Compro livros que ficam na estante por anos, até que um belo dia ele esteja maduro pra eu poder ler. Eu roubo livros dos outros, mas nem é por querer. Os livros me adotam. As pessoas se vão e eles ficam por aqui.

Detesto andar. Efeito Jaiminho. Eu sou filha do Jaiminho. Quando estou bem, gosto de ficar em casa. É até um termômetro. Quando não sinto vontade de sair, é porque estou bem. Eu acabo me bastando um pouco.

Sempre começo blogs. São uma ligeira válvula de escape.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

believe

I saw you yesterday. And the day before, and before, and before, and before. I saw you last Friday and I've been seeing you for the last 10 years. I saw you yesterday but only in my head. Maybe you were there. Because I couldn't see you with my eyes but with all the rest of my body. I saw you this night too, but in my dreams. You called me and we've talked as we used to.

I see you everyday. In my daily routine. In my clothes, my books, my cds. In places I visit. In songs I listen. In movies I watch. I pretend you are beside me and we are sharing that moment. I see you there. But you are not with me. I see you and I want to see you everyday. When I open my eyes at the very first hours in the morning and when I close them late at night. I want to see you as you really are. Every move, every touch. I want to see you not only with my eyes, but with my entire body. I want to see you again and again. I want to keep in my mind more than that smile you used to give me. That one that makes my heart so small and hot.

And why is that distance? How could you be so selfish? How can't you see all the things we're leaving behind and the ones we're missing? I knew I wouldn't stand long. That sooner or later i wouldn't handle this anymore.

Will it be fair?

terça-feira, 16 de outubro de 2007

so I disconnect

Vítimas e escravos do mundo virtual, a vida hoje depende das malditas máquinas. Novidade? Nenhuma. O que eu vejo hoje é uma quantidade enorme de pessoas carentes de afeto e com uma necessidade enorme de serem notadas, nem que para isso tenham que se utilizar de personagens que incorporam para não terem medo da rejeição. E é assim que se vive. No mundo da internet, do orkut, dos blogs e fotologs podemos perceber como as pessoas exibem projeções falsas de si mesmas, fingindo serem bem resolvidas, independentes e felizes. Publicam fotos e frases. Comunidades que espelham suas personalidades. E eu me pergunto: até que ponto é verdade?


A internet tornou-se mais um mecanismo de atingir as pessoas. Quando queremos nos mostrar felizes ou tristes e queremos que alguém - ou muitos alguéns - saiba. Quando queremos mostrar que estamos solteiros ou exibir o novo namorado. Quando cortamos o cabelo. Compramos um carro novo. Fazemos uma viagem. É uma carência sem limites que tentamos suprir da maneira mais inútil e superficial.


Hoje não escrevemos mais cartas, passamos emails. Não ligamos para nossos amigos para tomar um chopp, deixamos um scrap. Não vamos às suas casas para darmos um abraço, não sentamos juntos para ouvir uma música ou para ver um filme. Temos 683 pessoas adicionadas no orkut e no msn e não sabemos qual a cor de preferida de nenhuma delas. Ou o nome da mãe. Sabemos o que elas exibem nas comunidades mais esdrúxulas do mundo. Mas quantas vezes paramos para perguntar alguma coisa.


O mundo está mais interligado, mas a cada dia se torna mais impessoal. E o problema está justamente aí. No fato de que não adianta nada lermos e aprendermos tudo via internet se não temos com quem debater ou discutir. Porque máquina alguma pode substituir a verdade de um pensamento humano.


E eu afirmo: as pessoas hoje querem estar conectadas, mas de forma alguma relacionadas. Relacionar-se dói. Há riscos. Perigos. Medos. E para que sentir tudo isso se posso me esconder atrás de uma foto bonita de Photoshop? Ou da janela do msn? Não há mais olho no olho. Tudo é dito e falado e dividido por um tela maldita atrás da qual rezamos para que esteja realmente a pessoa que você acha e não o ex-namorado dela te sacaneando. Ou a mãe tentando descobrir algum podre.


Eu visivelmente sou uma vítima desse fenômeno. Mas eu juro que eu tento evitar ser dependente dele.

domingo, 30 de setembro de 2007

Lá lá lá lá-laiá...

Domingo. O pior dia da semana. Estava assistindo ao Saia Justa outro dia e a Monica Waldvogel disse que uma das coisas que ela gostaria de fazer até o fim da vida era aprender a aproveitar melhor os domingos. Eu também. São dias longos e quentes e noites frias e solitárias. A noite de domingo parece o último dia da minha vida, eu penso e repenso tudo o que deixei de fazer na semana anterior e tudo o que terei que fazer na que está começando. E é triste. É deprimente. Saber que tudo volta ao que era antes e que a vida vai continuar a andar da mesma forma. Que apesar de a semana ser nova os dias continuam os mesmos, o trabalho, a rotina.
Eu odeio rotina. Odeio a continuidade entediante da vida. Não me sinto feliz em ter certezas em tudo. O que é um paradoxo, pois sou a pessoa mais insegura do mundo. Como já foi dito, nesse mesmo bendito blog, o grande prazer da vida está na imprevisibilidade. Mas, até que ponto? Até que ponto a incerteza pode chegar? Até onde precisamos de garantias?
*
Acredito que as garantias são necessárias até conquistarmos confiança. Até estarmos plenamente seguros de nós mesmo. É o pêndulo Schopenhauer. O maldito tédio e a satisfação. Estamos sempre em busca de algo mais, de algo novo, além. Não existe a felicidade plena, a visão pessimista de fato. O que ocorre é esse tédio constante que solvemos com uma satisfação temporária que em algum breve momento dará espaço para uma nova necessidade, se assim pode ser chamada, visto que no fundo é só mais um de nossos caprichos humanos.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Então...

... sabe o que que é?... não me leve a mal, mas eu acho melhor a gente parar por aqui... (...) não, não... não é isso... na verdade eu não sei mesmo como explicar... (...) hmm... (...) NÃO!!! de jeito algum... o problema é comigo mesmo... é essa ansiedade que me consome... (...) eu não sei muito esperar, entende? acabo me afobando com as coisas... (...) eu sei que isso é ruim... mas não consigo evitar... eu sou assim mesmo, tento isso o tempo todo, mas é com tudo na vida, sabe? (...) ai não sei... tentar? mas isso demora... e eu não sei esperar, lembra? (...) ah, mas você não fala nada! (...) não, não, imagina! tem sido ótimo... mas é que eu acho que a gente é tão diferente... (...) como? ah não sei explicar... diferente... aquele dia do cinema por exemplo... (...) ah, aquele que eu queria ver aquele filme do Festival... (...) não, lembra? (...) isso! é... que a gente acabou indo ver aquela comédia hollywoodiana (horrorosa...)... (...) pois é... coisas tipo essa... (...) eu sei... tb adoro vc... (...) é, a gente se diverte (na cama)... (...) não, vc roncar não me incomoda (imagina!!!)... (...) olha só eu não quero a sua ajuda! eu não preciso da ajuda de ninguém! (...) é, é deve ser! sou independente demais pra vc! (...)(...)(...)(...) HA-HA-HA! muito engraçado! pior vc que não dá um peido sem ligar pra mamãe! (...) olha aqui meu bem, eu não tenho culpa se vc não é assim como eu... (...) arrogante? meça suas palavras! tá pensando que tá falando com quem? (...) é deve ser isso mesmo! (...) medo de ficar sozinha? olha só, eu não dependo de ninguém, tá? (...) hmm... (...) hmm... (...)(...)(...) ah tah, agora vai jogar na minha cara... beleza... (...) sabe o que te falta, é um pouquinho de cultura! (...) é, é isso mesmo! sinceramente eu não agüento ter que ficar assistindo tv a porra do fim de semana todo... se ao menos fosse alguma coisa de útil, mas não dá pra ficar falando de Big Brother... (...) olha aqui meu querido, Big Brother pra mim é o do George Orwell... (...) óbvio que vc não conhece... (...) pseudo-intelectual? além de tudo vc é um invejoso... (...) não, eu não to te comparando com ele não, até pq seria muito cruel da minha parte... (...) (...)(...) bom, então, resumindo, pq eu to pagando essa ligação, já deu pra ver que não tá rolando né? (...) é a culpa é minha mesmo... pq eu penso! (...) olha só, silêncio é pros fracos... (...) hmm (...) hmm (...) ouvir o silêncio? eu tenho cara de cachorro pra ouvir apito no silêncio? (...) não, eu não tenho que mudar não, se quiser mude você! (...) ué eu sou assim, muda você oras! (...) ah vc tb é assim... (...) é... até que vc não tá tão errado não... (...) hmm (...) hmm, sei...(...) não, não, claro... (...) eu entendo... deve ter sido difícil mesmo... (...) (vergonha³) (...) claro, poxa me desculpe... (...) é eu sou assim mesmo... (...) é essa ansiedade que me consome... (...) como eu dizia, o que vc vai fazer hoje à noite?

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

I wish I knew how to quit you

"Se alguém me perguntasse hoje, a dois dias dos meus 23 anos, qual momento eu escolheria para viver de novo eu diria, sem precisar pensar por um segundo sequer, o ano de 2003. Não porque só vivi coisas boas, pelo contrário; na verdade foi um ano de coisas ruins também. Ainda não sei dizer se escolheria todo o ano ou alguns meses. Ou escolheria dias. Horas. Segundos. Eu escolheria conseguir viver com aquela intensidade de novo. Ver as cores brilhando como papel celofane. Sentir o corpo dormente. E o coração batendo tão forte que dá para ver o peito latejar.

Eu sinto falta disso. Sinto falta do gosto doce daquilo tudo. Do cheiro das flores. Às vezes penso que tudo isso acabou e que não, não dá para sentir nada de novo. Que como tudo na vida, passa, passa para dar lugar a outras coisas. Novas, que substituem, que ocupam nosso tempo, nossas cabeças, que nos trazem prazeres e desprazeres, que nos fazem felizes. Penso que devo estar envelhecendo e perdendo a ternura, secando, esfriando. Mas não será cedo demais para isso?"

*

Há pouco tempo venho redescobrindo a liberdade. A falta de compromisso com uma pessoa que conte comigo. É um egoísmo bom, saudável; amor-próprio, de fato. É poder sentar no metrô ao lado de uma pessoa que você conheceu há horas e falar bobagem; é aceitar um convite para sair; é fazer opções na vida sem ter que consultar ninguém.

*

Muitas vezes eu acho que estou compartilhando um momento com alguém. Na verdade, entretanto, em todos eles acabo me sentindo só. Eu vejo, pouquinho tempo depois, que o que eu senti foi só meu.

É impossível conhecer alguém. E, no fundo, o grande prazer vem nisso, na imprevisibilidade da vida; em não saber com absoluta certeza e segurança o que o outro está sentindo. Curiosidade é uma palavra incrível.

*

Algumas coisas são surpreendentemente as mesmas sempre e nos trazem sempre as mesmas sensações. O que muda são os efeitos que elas nos provocam, que variam de acordo com o que estamos vivendo naquele momento. O problema gira exatamente em torno desse efeitos, já que o meu momento não é necessariamente o momento do outro e daí temos as tão comuns questões de timing. Assim, o efeito que uma coisa provoca em você não é o mesmo provocado no outro.

*

É estranho encaixar na minha vida de cores opacas um dia cintilante. Minha cabeça processa as informações a uma velocidade próximo ao incrível e fica com aquele dia grudado lá passando como um filme bom que se repete por uma semana no mesmo canal de TV. Acho que no fundo é isso. Um filme bom que posso ver quantas vezes quiser. Que, dependendo de como eu estiver no dia, vou perceber um detalhe diferente, vou rir e chorar de diálogos diferentes; meu coração vai bater mais rápido em cenas diferentes. Mas, como todo bom filme, excita quando começa e deixa saudade quando acaba. Fica sempre preso ao que está ali. Nada mais, nem diverso, pode ser vivido, só o que já está ali. E esse limite que o filme traz dá um pânico, uma sensação de afogamento um não saber incômodo, do que aconteceria com aquelas personagens se alguma daquelas cenas que se repetem infinitamente pudessem ser mudadas; do que aconteceu com elas depois que o filme acabou; do que irá acontecer se houver uma parte dois.

Mas não tem parte dois. Não tem como mudar as cenas. Só dá para acelerar o filme, cortar as cenas. Assistir em câmera lenta. A história é sempre igual; o que muda são os efeitos que elas causam.




terça-feira, 4 de setembro de 2007

i'm only happy when it's complicated

É verdade. Eu gosto do que é complicado, do que é difícil, do que não está ao meu alcance. O fácil não me interessa. O fácil é simples, não tem conquista, não se valoriza, não se tem medo de perder. Isso é uma idéia medíocre, esnobe e egoísta. Porque se todas as pessoas se entregassem tudo seria mais honesto e sincero. Mas não. O grande lance é a disputa, porque é isso que acontece. As pessoas disputam, quem vai ceder primeiro? Ou então o medo motiva a não se deixar cair na lábia do outro. Mas, afinal, quantas oportunidades perdemos em nossas vidas por dispensarmos o fácil e cairmos na tentanção de lutarmos pelo difícil, que, na maioria das vezes, não vale a pena? Deixa de ser hipócrita, você também é assim! Eu não sou a única, nem nunca vou ser.
Eu tenho uma capacidade incrível de idealizar. E isso é péssimo. Eu não me permito, tenho uma dificuldade absurda de lidar com o novo. Sim, eu já li Quem mexeu no meu queijo, por mais que eu odeie livrinhos de auto-ajuda. No fundo, eu os odeio exatamente por isso: eu entendo, sei que tenho que mudar, mas não consigo e me revolto. E é assim que eu vivo. Dentro das minhas idealizações, perdendo oportunidades diante do novo, tentando me livrar de paradigmas criados por mim mesma ou pelos outros e conseguir desconstruir uma opinião sobre algo ou alguém. O meu cérebro desenvolveu essa habilidade, seja por defesa ou sei lá o que. No final, é péssimo de todos os jeitos. Porque eu consigo transformar um merda num rei, um super-herói num Zé-Ninguém, e saio prejudicada das duas formas.
O pânico é estar andando em círculos, já que todos os meus problemas giram em torno desse mesmo maldito defeito que não consigo amenizar. Quem sabe um dia ele abre em espiral.

sábado, 1 de setembro de 2007

citè

Não é um homem alto. Também não chega a ser baixo; mas toca o alto da porta sem ficar nas pontas dos dedos dos pés e sem esticar completamente os braços. A boca, de lábios grossos e definidos, é bem clara, tendo quase a mesma cor da pele do resto do rosto, abriga os dentes grandes que parecem ser todos do mesmo tamanho, regulares como o teclado de um piano, e declama - Drummond - com peculiaridade e prazer. Expressa com os olhos mais que palavras e dá sentidos novos a antigos termos corriqueiros. As lentes dos óculos em retângulo, essenciais, não escondem as sobrancelhas castanho-claro da mesma tonalidade dos cabelos que já teimam em abandoná-lo. Não que isso o faça menos do que ele é, de jeito algum. Impossível haver tal harmonia sem cada detalhe que ele revela.
É um homem. Esguio e magro, revela a barriga, quase um palmo abaixo do umbigo, em um gesto distraído ao se espreguiçar. Seus braços não param um minuto e as mãos são companheiras dos olhos escuros e dos lábios claros em deixar mais óbvio o que quer dizer. São pequenas, de fato. Não bem pequenas, mas tem dedos finos e não tão longos assim. É bonito quando fala, pronuncia um "A", assim, bem aberto, e mostra a boca que abre num arco longo, marca um traço em cada lado do rosto e uma covinha acima do traço, somente no lado esquerdo. Não sei se rói as unhas. Daqui não dá pra ver. Mas que importa? Tanto faz.
Nunca está barbado. Pelo menos não nas quatro vezes que o vi, não estava. Aliás, pouco dá pra perceber de sua barba, que, ao que me parece, não pode cobrir-lhe o rosto devido às falhas. É destro, de costas largas, quadris bastante estreitos; corpo de homem. Ah, sim! Agora vejo! As unhas são bem curtas, como se fossem roídas, mas não são. São brancas, limpas e as cutículas têm uma aparência macia, bem como as palmas das mãos, que teima em exibir.
O reflexo das lentes antes não me deixavam perceber que seus olhos na verdade são verdes. Não esse verde que a gente consegue ver através. Mas um verde escuro, mais escuro que azeitona, com a íris bem marcada como com régua e compasso. São realmente expressivos e me fitam sem suspeitar de nada. Eles me encaram como se eu fosse mesmo eu, e não o que, a princípio, me interessa ser. Ele me comove com a paixão que declara, não por mim, nem por ninguém, mas por algo que parece fazer questão de deixar claro, ser sua razão de viver. Ele me dá esperanças ainda.
Não é propriamente belo. É a sua transparência em 8 horas. A sinceridade e a não-vergonha, o não ver problema em falar nada e dizer tudo o que passa pela sua cabeça sem hesitação, provocando riso e sorriso, assustando por tanta inocência. Tem manias com certeza, mas, Oxalá, são boas. Usa tudo na medida; sem exageros, cada detalhe se encaixa perfeitamente e seria um pecado que qualquer um deles fosse deixado de fora. Tudo organizado, limpo e arrumado. Muita cor, livros e som.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

sem mais

Ah, o amor! Quer sentimento mais vago que esse? Não tem motivo, explicação e mobiliza as pessoas em função dele. Elas se cegam e se anulam em busca de um refúgio, de um cúmplice; se perdem e cobram do outro a projeção de si mesmas. Milan Kundera é um realista. Retratou o amor como ele realmente é, repleto de vaidades e orgulhos, de cobranças, da tentativa vã de acharmos nos outros o que buscamos dentro de nós. O amor como ele deveria ser não existe; sem compaixão, sem expectativas. A falta de leveza nas relações e a necessidade, a busca constante pelo novo e pelo melhor não nos permite atingir esse degrau. O resultado é evidente. As frustrações são cada vez mais constantes, visto que nunca iremos conseguir achar alguém que atenda a todas as nossas vontades. Veja bem, tudo gira em torno de atender a nós mesmos. Quando encontramos alguém que dizemos amar, a primeira preocupação que temos é se iremos nos sentir fulfilled, se aquela pessoa irá nos satisfazer e nunca, deixemos a hipocrisia de lado, pensamos se seremos capazes de fazer isso por ela. O pior de tudo é ainda quando nos irritamos porque o outro não age da maneira como nós agiríamos.

Eu sou egoísta e assumo. Ou apenas não tenho evolução espiritual o suficiente para amar assim. Eu ainda não encontrei minha Karenina; ou meu Karenin. Eu ainda preciso de alguém que atenda minhas necessidades e meus objetivos. Não porque preciso ostentar, nem exibir ninguém, mas porque preciso de alguém para andar lado a lado comigo. E aí volto ao ponto de que precisamos de alguém que seja nosso espelho. Na verdade, um espelho que não reflita a nossa verdadeira imagem, mas a imagem do nosso ideal.

Estar com alguém, eu tenho visto, é uma circunstância, no que se refere ao fato de aquela pessoa representar quem você é naquele exato momento. Seja pelo meio que você vive, pela profissão que exerça, pelo lugar onde você mora. Uma vez afastado dessa circustância, você simplesmente abandona esse amor, na medida em que a distância faz com que você esqueça. O sentimento que surge depois, como disse Drummond - queira Deus que eu não me engane -, é de fato a frustração pelo que não vivemos e a saudade do que poderíamos ter vivido. E sofremos por coisas que nem aconteceram e que provavelmente não viriam a acontecer. Muitas vezes, é essa a sensação que preenche as pessoas que sofrem de amores crônicos e mal resolvidos - como eu - que na maioria das vezes nem tiveram um começo. Essa agonia de pendência, de dúvida é na verdade resultado da ilusão que criamos dentro de nós mesmos, de idealizações, de cenas que vemos quando queremos e da maneira que queremos, sem sermos fiéis a como de fato elas foram ou virão a ser. É mais gostoso, é mais romântico, mas, eu me pergunto, quantas vezes é amor? Seria o amor uma realidade, ou simplesmente uma criação de nós mesmos a partir da solidão que existe dentro de cada um de nós?

Viva Gabriel Garcia Marquez.