quinta-feira, 7 de abril de 2011
a barca. {a cena}
quarta-feira, 6 de abril de 2011
a barca. {a dança}
Ela se pôs de pé, as pernas rijas do prazer recente, e finalmente percorreu os móveis e paredes daquela que seria a sua morada nos próximos dias. Em frente à estante, acariciou serena as lombadas dos livros e escolheu seu discurso.
sexta-feira, 1 de abril de 2011
a barca. {a glória}
segunda-feira, 28 de março de 2011
a barca.
terça-feira, 8 de março de 2011
carnaval de manhã.
Impossível, de fato, tão bem assim. Nesses mesmos dias de hoje, em que a gente escolhe o que quer ser sem se preocupar com os olhares dos medíocres. Tudo isso seria hoje, algumas horas a mais.
A saia dessa vez deixei guardada no armário. Como seus enfeites, cujos detalhes não quero comentar, eu evito lembrar de como lhe caíam bem, e também os guardo no fundo do meu armário. Junto com a saia, que nunca mais será a mesma, tapete na sala de jantar.
E quando me tomaram a mão dessa vez, eu fechava os olhos e só via você, daqueles que não se encontra tão facilmente, não naquele verde, não daquele tom.
Não seria pouco se eu dissesse que além de tudo, não do que passou, mas do que eu sei que viria, eu sinto falta daquela sensação de saber que você desconstruiria o que eu achava que sabia sobre desejo. E muito, mas muito mais do que isso, porque isso efetivamente foi consumado. Mas, principalmente, sobre entender que ter é muito mais do que possuir.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
de cor.
segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
ainda é cedo.
sexta-feira, 21 de janeiro de 2011
sim.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
eu caetano. tu caetanas.
domingo, 2 de janeiro de 2011
da manga rosa quero gosto e o sumo.
quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
medo da chuva.
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
por um momento meu canto contigo compactua.
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
me faz esse favor.
nem sempre se vê lágrima no escuro.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
tito.
domingo, 5 de dezembro de 2010
selos, pinguins, papéis de carta e outras coisinhas mais.
domingo, 28 de novembro de 2010
antes de mais nada.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
aponta pra fé e rema.
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
240 horas.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
24 horas.
domingo, 14 de novembro de 2010
35 segundos.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
arrastando o sari.
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
vitrine.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
i used to shoot you down.
sábado, 16 de outubro de 2010
lava que cobre tudo.
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
vamos mergulhar do alto onde subimos
para minha Fi.
brinde.
do arpoador.
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
ante o colapso final a vertigem.
vai sem duvidar, mas, se ainda faz sentido, vem.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
ano que vem.
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
tá, tudo bem.
sexta-feira, 13 de agosto de 2010
and everyday you remind me how I'm desperately in need
sábado, 19 de junho de 2010
“No dia seguinte ninguém morreu.”
quarta-feira, 7 de abril de 2010
domingo, 14 de março de 2010
terceiro
Descobriu que a imponência e o poder que demonstra são uma mentira convincente aos olhares distraídos e impressionáveis. Aos de Fernanda, tudo se desconstruiu em poucos minutos: foi fácil fazê-lo assumir que prefere ser enganado a contariado e que se satisfaz com a ilusão consciente do domínio.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
pois é
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
querida alice
domingo, 21 de fevereiro de 2010
o louco
a forma de um rei ou de um vagabundo,
a forma da juventude ou da velhice,
a forma da estupidez ou da sabedoria.
Minha mochila está vazia.
Minha mochila contém o Céu e as estrelas,
o Sol e a Lua,
o mar, as florestas, as cidades com seus moradores
e o vento que vem do mar,
o vento onde voam os pássaros
e o vento de Luz, que vem das galáxias.
Não sei nada, o Universo é grande demais.
Eu compreendo sendo.
Para compreender o rei eu sou o rei,
para compreender a vida sou a vida,
para compreender o amor, amo.
Para compreender o relâmpago, eu caio do Céu,
para compreender o fogo, danço a dança das chamas,
para compreender você, sou você.
Para compreender o Divino, entro em comunhão.
Podem latir os cachorros e morder.
Podem morder as minhas roupas.
Não podem morder o Nada que eu sou."
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quarta de manhã (v. Clarice)
quarta de manhã (v. Fernanda)
quarta de manhã
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda de manhã (v. clarice)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
segunda de manhã (v. tereza)
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
segunda de manhã
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
até então
Ele sabia que se casaria com ela. Enamorou-se por seus tornozelos com pingentes. Desde aquele início de noite, de quase temporal. Ela tinha o sorriso mais bonito que ele já vira. E descobriu que já era apaixonado por ele mesmo antes de vê-lo pela primeira vez.
manual de boas maneiras
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
de mãos dadas
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
vou festejar
Renovação total. Mudanças, desafios, dúvidas, lições pra encararar mais um turno. A ilusão de um ano novo que ajuda no reinício, motiva e inspira.
Vou festejar então.
Por ter experimentado a vida e a morte.
Por ter conhecido pessoas incríveis.
Visto lugares maravilhosos.
Por ter reencontrados sentimentos esquecidos.
Pessoas que estavam tão perto e tão longe.
Por ter conhecido a felicidade em estado bruto.
Por ter me decepcionado.
Mais uma vez e sempre.
Por ter me apaixonado, mais de uma vez.
Por estar apaixonada.
Por estar amando.
Por estar vivendo.
Vou festejar e chorar nesse fim de ano.
E me lembrar de tudo o que senti, provei, aprovei e reprovei.
E vou festejar tudo que ainda está por vir e o friozinho na barriga que dá não saber exatamente o quê.
2010.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
flor
Não obstante o falatório geral, não houve santo que tirasse da cabeça de Alice que as histórias que corriam por aí tinham um quê de mal contadas. E, então, descobriu que não era bem assim que a banda tocava. Literalmente. Ademais, em favor das duas e em desfavor do restante, encontraram-se em uma sintonia talvez inédita. Três passos para frente, um para trás, sempre com um pézinho fincado em terra firme, foram aos poucos aparando arestas invisíveis. Quando se deram conta, passaram a confidenciar o que até então foram levadas a crer serem banalidades.
Clarice e Alice.
Não têm paciência para a inércia, mas muitas vezes se acham incapazes de sair dela.
Não sabem se compram uma TV ou se andam de bicicleta.
Juram que lealdade e fidelidade não são a mesma coisa.
Têm vontade de sair correndo quando ouvem uma música que amam.
Querem ficar sós, mas se sentem como um cão sarnento por acharem que não têm amigos.
Se apaixonam rápido e se desapaixonam mais rápido ainda.
Fazem as pessoas se apaixonarem por elas. E juram que não é por querer.
Provocam amor e ódio simultaneamente.
Estão sempre em ponto de ebulição.
Detestam o óbvio.
Atraem-se pelo excêntrico.
Clarice e Alice.
Separadas no nascimento?
(F)
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
dois cafés com açúcar
Era prali que eles fugiam depois do almoço, tomavam um café requentado que ele teimava em dizer que era o melhor dos arredores e fumavam um ou dois cigarros, quando tinham um pouco mais de tempo. Falavam sobre tudo, sobre nada, se amavam e se odiavam.
Foi ali que ela se sentou pela primeira vez com ele, quando ainda nem sabia andar pelo centro. E deu uma tristeza saber que além deles, o bar também não iria mais existir, não da mesma forma que antes.
Ela se deu conta, então, de que fotografa lugares por onde passa, guarda reportagens que lê, decora letras de músicas inteiras, compra livros e assiste a filmes sempre que tem vontade de estar com ele, numa tentativa vazia de compartilhar sozinha um momento deles dois.
Uma maneira leviana de matar as saudades.
E de sentir, por um segundo que seja, aquela completude que só ele proporcionava.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
por onde anda minha Tereza?
Ela busca no desvio do olhar que ele dá quando se encabula uma nesga de verdade. Acha. E vê que ele se desconcerta, que ela o faz cair desse pedestal que ele construiu para ser notado, mesmo que somente pelos espelhos que projeta de todos os lados.
Tudo que ela pensa é em como ele seria mais alto e mais bonito daqui de baixo. Mais verdadeiro e menos vulgar. Menos forçado, menos banal.
Tereza gosta do jeito que ele morde o lábio de baixo quando pensa em beijá-la. Ela sempre pisca de leve o olho esquerdo só pra ele se certificar de que ela o entendeu. Ela gosta da virilidade do corpo jovem, do jeito sem jeito que ele reage quando eles se esbarram, jamais sem querer. É isso.
Tereza adora o jeito como eles fingem coincidências.
domingo, 25 de outubro de 2009
samba e amor
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
o meu amor
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu? E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Meu corpo é testemunha do bem que ele me faz
domingo, 4 de outubro de 2009
detalhes
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
versículo vigésimo segundo
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
21 andares
Quando finalmente o barulho diminuiu, Tereza já estava com o indicador direito colado na campainha, como se para todo o prédio ouvir. Ele abriu a porta ainda com o telefone na mão, sem camisa, olhando pra ela, os cabelos embolados, a blusa branca manchada da garoa, pedindo permissão para entrar. Ele lhe deu passagem e perguntou se ela queira uma água.
Ela sentou no sofá e, bem Tereza, puxou um assunto aleatório. Ele prosseguiu oferecendo um pedaço de um doce amarelo e foi esse o dia em que Tereza comeu pamonha pela primeira vez. E na verdade não gostou. Então, de repente, sem nem se lembrar o porquê, voltaram a discutir. Ela chegou a sair porta afora, mas ele, num puxão pela cintura, a trouxe de volta já com a boca colada na dela. Quando voltaram para o sofá, ele já tinha as mãos percorrendo-lhe as coxas por baixo da saia curta.
Eles treparam na sala, passaram pelo chão do corredor e terminaram em cima da cama, com Cesar aos prantos, perguntando como ela tinha coragem de fazê-lo sentir aquilo tudo e depois se despedir. Tereza já pegava a chave do carro e procurava um dos brincos que perdera no trajeto. Beijou-lhe as lágrimas, enxugou-lhe os lábios, mergulhou o nariz em sua nuca, ainda agarrada aos fios escuros que a percorriam, desculpou-se mais uma vez e bateu a porta em suas costas, ainda ouvindo os soluços que atravessavam a parede. Desceu o elevador, o rosto pálido em choque.
Terminou a noite, totalmente perdida, com as pernas abertas pro Beto, imaginando quem seria o pai se a pílula falhasse.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
baby goodbye
terça-feira, 22 de setembro de 2009
em suma
Clarice é feliz,
Fernanda é livre,
Tereza é indiferente.
Para a família,
Clarice é mãe,
Fernanda é forte,
Tereza é um caso perdido.
Para a sociedade,
Clarice é convencional,
Fernanda é excêntrica,
Tereza é uma ameaça.
Para o analista,
Clarice é uma fraude,
Fernanda é uma farsa,
Tereza é um cristal.
No amor,
Clarice acha que sabe,
Fernanda sempre se entrega,
Tereza tomou horror.
Pela manhã,
Clarice não gosta de sexo,
Fernanda não gosta de acordar só,
Tereza está indo dormir.
Na cama,
Clarice fecha os olhos,
Fernanda olha nos olhos,
Tereza olha para o espelho.
Na realidade,
todas elas,
e todas as outras,
numa
só.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
pra cima de mim?
*ainda na página 19 e mal posso esperar pelo final
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
ponto final
Ainda sentia o hálito quente do beck que tinha acabado de fumar e a respiração dele exalando álcool soprar no seu pescoço. Começou a procurar as chaves, adiantando o trabalho de achá-las na porta de casa.
Apesar do ar condicionado, ela podia sentir o cheiro da chuva que se aproximava e por um segundo, naquele dia infernal, encostou a cabeça no banco e suspirou.
Ele olhava ela de cima, podia ver seus tornozelos roçando uns nos outros e uma pétala de rosa vermelha que vazava atrás da orelha direita, escorregando pela nuca, se escondendo entre os fios de seus cabelos. Não sabia se o perfume era dela ou da flor e sentiu-se um pouco alto demais quando se viu pensando nisso. Sentiu um arrepio percorrer-lhe o corpo inteiro e apertou os joelhos com as mãos geladas.
Ela ainda ouvia a música que tocava no rádio quando passou pelo bar em frente ao ponto e conseguia ver seu reflexo pelo vidro da janela, fingindo que não a notava. Começou a estalar os dedos, primeiro pressionando os indicadores com os polegares da mesma mão e nesse movimento ele pôde ver as três alianças idênticas que ela usava em um só dedo da mão esquerda. Os três homens da minha vida, meu pai e meus irmãos, como um dia ela lhe contaria.
Enquanto o ponto final se aproximava, Tereza começou a vasculhar a bolsa, sacou uma boleta de cartão de crédito, escreveu seu telefone nela. Levantaram-se; ele primeiro, ela, logo em seguida; e assim que a porta abriu, guardou o papel no bolso de trás da calça dele.
E antes que chegasse na porta de casa, junto com as gotas grossas de chuva que começavam a lhe molhar os pés, ouviu pela primeira vez a voz do Beto, do outro lado da linha.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
clarice (a lispector)
Semana passada de bobeira zanzando pelo site do Rio Show, encontrei essa peça. Ali, logo do lado do escritório, no CCBB. Meia entrada, 5 pratas.Ontem estava aqui e mandei esse conto pra Fernanda. Qual foi minha surpresa ao reconhecermos o mesmo bendito e adorado conto na peça hoje.
"(...) Talvez eu me ache delicada demais apenas porque não cometi os meus crimes. Só porque contive os meus crimes, eu me acho de amor inocente. Talvez eu não possa olhar o rato enquanto não olhar sem lividez esta minha alma que é apenas contida. Talvez eu tenha que chamar de "mundo" esse meu modo de ser um pouco de tudo. Como posso amar a grandeza do mundo se não posso amar o tamanho de minha natureza? Enquanto eu imaginar que "Deus" é bom só porque eu sou ruim, não estarei amando a nada: será apenas o meu modo de me acusar. Eu, que sem nem ao menos ter me percorrido toda, já escolhi amar o meu contrário, e ao meu contrário quero chamar de Deus. Eu, que jamais me habituarei a mim, estava querendo que o mundo não me escandalizasse. Porque eu, que de mim só consegui foi me submeter a mim mesma, pois sou tão mais inexorável do que eu, eu estava querendo me compensar de mim mesma com uma terra menos violenta que eu. Porque enquanto eu amar a um Deus só porque não me quero, serei um dado marcado, e o jogo de minha vida maior não se fará. Enquanto eu inventar Deus, Ele não existe."
'Simplesmente eu. Clarice Lispector' @ CCBB, adaptação, direção e interpretação: Beth Goulart, 4ª a dom, 19h, até 04 de outubro, 3808-2007.
(chegue cedo, hoje quase não conseguimos ingresso)
terça-feira, 1 de setembro de 2009
brincando com fogo
E, então, um dia ele conheceu a mãe do futuro filho dele e soube disso no primeiro segundo que a viu, só pelo sorriso que ela deu sem abrir os olhos. E ele tinha cada vez mais certeza disso, na medida em que ela pouco se importava com ele, enquanto a Tereza - e todas as outras - se estrebuchavam no chão esmolando um espaço na sua alma.
O Beto não se reconheceu e se desesperou no dia em que sentiu saudades dela e muito pior quando se viu ardendo de ciúmes. Ele não escondeu dela o revertério que sentia com ela por perto e enlouquecia cada vez que ela achava graça da situação.
Foi nessa época que a Tereza invadiu a casa do Beto e num surto psicótico tentou incendiar a casa dele.

