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terça-feira, 8 de março de 2011

carnaval de manhã.

Meu olhar continuou te buscando na multidão, mas esvaziar o copo me impediu de fugir. E eu queria continuar pensando em você, e que você aparecesse como se me esperasse só pra me tomar pelo braço e se embrenhar no meio do povo. Você beijando os nós dos meus dedos fundidos nos seus.

Impossível, de fato, tão bem assim. Nesses mesmos dias de hoje, em que a gente escolhe o que quer ser sem se preocupar com os olhares dos medíocres. Tudo isso seria hoje, algumas horas a mais.

A saia dessa vez deixei guardada no armário. Como seus enfeites, cujos detalhes não quero comentar, eu evito lembrar de como lhe caíam bem, e também os guardo no fundo do meu armário. Junto com a saia, que nunca mais será a mesma, tapete na sala de jantar.

E quando me tomaram a mão dessa vez, eu fechava os olhos e só via você, daqueles que não se encontra tão facilmente, não naquele verde, não daquele tom.

Não seria pouco se eu dissesse que além de tudo, não do que passou, mas do que eu sei que viria, eu sinto falta daquela sensação de saber que você desconstruiria o que eu achava que sabia sobre desejo. E muito, mas muito mais do que isso, porque isso efetivamente foi consumado. Mas, principalmente, sobre entender que ter é muito mais do que possuir.

tereza, fernanda e clarice de manhã.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

quarta de manhã (v. Clarice)

Esperou por tantos anos que não se lembrava mais se era verdade ou não. Ele se impressionou com as pequenas coisas das quais ela se lembrava. Se assustou com as grandes coisas que ela o fez sentir novamente. Se esforçou para não se deixar apaixonar por ela mais uma vez, depois de todo esse tempo e de já ter conseguido se tornar indiferente àquele fogo que ela lhe acendia.

Clarice era apenas Clarice. Enroscando os braços ao redor do pescoço dele como numa noite de inverno.

quarta de manhã (v. Fernanda)

Olhando as estrelas pela janela, sentindo o suor dele escorrer por suas costas, ela previu todo o louco futuro de delícias que eles iriam viver.

Faltou-lhe ar, o peito esvaziou, até seu último suspiro se escondeu de medo. Se amariam profunda e arduamente, num misto de obsessão e desespero.

Por um segundo fechou os olhos tentando fugir do que via, cristalino. E, como já conhecia essa história, passou a mão em suas coisas espalhadas pela sala e foi embora sem deixar nem um olhar de adeus.

quarta de manhã

Ele tinha um jeito diferente de dormir. Inédito pra ela. Esperou que virasse de costas pra ele pra acomodar suas costas nas dela, apoiando o braço em seus quadris e repousando a mão em sua coxa direita. 

Do chão ela podia ver as estrelas que iluminavam a noite e sentir o vento fresco que invadia a sala. 

Sem espaço pra mais nada a não ser os dois, Tereza fechou os olhos e dormiu, enfim, pela primeira vez, nos últimos quatro dias. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

segunda de manhã (v. clarice)

Amanhece e ele ainda tem confetes nos cabelos. Amanhece e ela sente a marchinha no peito. O dia começa sem acabar e eles ainda têm a sensação do calor do último abraço. O perfume do pescoço dele deixou um rastro no vestido dela, o vestido que ela pendurou no armário escondido no meio dos outros para tentar contaminá-los. O dia se ilumina, amanhecer lilás aqui, vermelho lá, o mesmo sol, que banha o mesmo mar, que conecta os dois. Ele encantado com tudo o que vê. Ela obcecada por tudo que sente.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

segunda de manhã (v. tereza)

Amanhece e ele ainda tem confetes nos cabelos. Amanhece e ela sente a marchinha no peito. O dia começa sem acabar e eles ainda têm a sensação do calor do último abraço. Ele ainda sente ela descendo das pontas dos pés apoiando as mãos nos ossos de seus ombros, mordiscando o cantinho da boca tentando fingir um não sorriso. Ela tenta se lembrar de como era o gosto da saliva dele, mas ele fez tanto pouco caso dela antes de ir, que fez questão de esquecer.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

segunda de manhã

Amanhece e ele ainda tem confetes nos cabelos. Amanhece e ela sente a marchinha no peito. O dia começa sem acabar e eles ainda têm a sensação do calor do último abraço. O perfume do pescoço dela deixou um rastro na camisa dele, a camisa que ele vestiu o travesseiro assim que chegou. O dia se ilumina, amanhecer lilás aqui, vermelho lá, o mesmo sol, que banha o mesmo mar, que conecta os dois, que choram de suave e inesperada felicidade.