É tanta coisa na cabeça que não consigo colocar pra fora.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
domingo, 14 de março de 2010
terceiro
Tinha o corpo curvado de um menino de 15 anos virgem e ansioso. As mãos unidas com os dedos entrelaçados transpiravam apoiadas entre os joelhos magros. Os olhos, de íris de um verde escuro que quase não se nota por baixo das lentes dos óculos que, às vezes, em teimosia não usa, como se assim parecesse mais seguro, piscavam devagar as pálpebras.
Descobriu que a imponência e o poder que demonstra são uma mentira convincente aos olhares distraídos e impressionáveis. Aos de Fernanda, tudo se desconstruiu em poucos minutos: foi fácil fazê-lo assumir que prefere ser enganado a contariado e que se satisfaz com a ilusão consciente do domínio.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
pois é
Quando eu era garotinha, minha mãe sempre me dizia:
"O QUE É DO HOMEM O BICHO NÃO COME."
É.
Eu devia ouvir mais a minha mãe.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
querida alice
Queria ter te escrito ontem, mas o calor não me deixou. Não que agora não faça calor, faz e muito. O sol tem nascido antes das 6 e nem estamos mais no horário de verão. E já que estamos falando do tempo, como me faz mal o verão! Não que me faça mal, mas bem algum me faz. Não consigo me concentrar, tudo parece se embaralhar com esse mormaço. Sinto, às vezes, o vapor que meu corpo exala, antes de a pele ficar grudenta como uma jaca. Rezo para que a chuva venha, ao menos para refrescar meu rosto, mesmo que da janela da sala. E rezo mais ainda para que o inverno chegue, eu possa me acalmar e sentir prazer novamente em ficar em casa lendo. Porque nesse inferno no qual estamos vivendo os últimos meses, não sinto vontade de nada.
Falando então nos últimos meses, penso agora nas últimas semanas. Quem sabe até nos últimos dias. Ou nas últimas horas. E sabendo que ninguém irá entender o que se passa, então digo a você: sinto uma incrível não necessidade de falar. Estou naqueles dias que existir basta. Que ninguém tem absolutamente nenhuma importância.
Só um parêntese. Adoro quando me dizem que, para mim, as pessoas são descartáveis. Simplesmente amo. Amo a superficialidade com que as coisas são vistas. Amo perceber o egoísmo do outro. Enquanto estávamos ao lado, que valor tínhamos? O problema é que não entendem que nós cansamos. E quando cansamos, tudo vira nada.
E nessa não necessidade de dizer, falar, cuspir, gritar, vomitar, etc, me pego aqui com você. Paradoxal, mas você entende. Acho que, na verdade, tento assim garantir que alguém me segure quando esses dias passarem, porque sei que, no meu caso, a bonança antecede uma tempestade.
Me dá de presente galochas, uma capa e um guarda-chuva? Prometo que te empresto quando chover em você.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
o louco
"Eu sou Nada, posso vestir qualquer forma,
a forma de um rei ou de um vagabundo,
a forma da juventude ou da velhice,
a forma da estupidez ou da sabedoria.
Minha mochila está vazia.
Minha mochila contém o Céu e as estrelas,
o Sol e a Lua,
o mar, as florestas, as cidades com seus moradores
e o vento que vem do mar,
o vento onde voam os pássaros
e o vento de Luz, que vem das galáxias.
Não sei nada, o Universo é grande demais.
Eu compreendo sendo.
Para compreender o rei eu sou o rei,
para compreender a vida sou a vida,
para compreender o amor, amo.
Para compreender o relâmpago, eu caio do Céu,
para compreender o fogo, danço a dança das chamas,
para compreender você, sou você.
Para compreender o Divino, entro em comunhão.
Podem latir os cachorros e morder.
Podem morder as minhas roupas.
Não podem morder o Nada que eu sou."
a forma de um rei ou de um vagabundo,
a forma da juventude ou da velhice,
a forma da estupidez ou da sabedoria.
Minha mochila está vazia.
Minha mochila contém o Céu e as estrelas,
o Sol e a Lua,
o mar, as florestas, as cidades com seus moradores
e o vento que vem do mar,
o vento onde voam os pássaros
e o vento de Luz, que vem das galáxias.
Não sei nada, o Universo é grande demais.
Eu compreendo sendo.
Para compreender o rei eu sou o rei,
para compreender a vida sou a vida,
para compreender o amor, amo.
Para compreender o relâmpago, eu caio do Céu,
para compreender o fogo, danço a dança das chamas,
para compreender você, sou você.
Para compreender o Divino, entro em comunhão.
Podem latir os cachorros e morder.
Podem morder as minhas roupas.
Não podem morder o Nada que eu sou."
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
quarta de manhã (v. Clarice)
Esperou por tantos anos que não se lembrava mais se era verdade ou não. Ele se impressionou com as pequenas coisas das quais ela se lembrava. Se assustou com as grandes coisas que ela o fez sentir novamente. Se esforçou para não se deixar apaixonar por ela mais uma vez, depois de todo esse tempo e de já ter conseguido se tornar indiferente àquele fogo que ela lhe acendia.
Clarice era apenas Clarice. Enroscando os braços ao redor do pescoço dele como numa noite de inverno.
quarta de manhã (v. Fernanda)
Olhando as estrelas pela janela, sentindo o suor dele escorrer por suas costas, ela previu todo o louco futuro de delícias que eles iriam viver.
Faltou-lhe ar, o peito esvaziou, até seu último suspiro se escondeu de medo. Se amariam profunda e arduamente, num misto de obsessão e desespero.
Por um segundo fechou os olhos tentando fugir do que via, cristalino. E, como já conhecia essa história, passou a mão em suas coisas espalhadas pela sala e foi embora sem deixar nem um olhar de adeus.
quarta de manhã
Ele tinha um jeito diferente de dormir. Inédito pra ela. Esperou que virasse de costas pra ele pra acomodar suas costas nas dela, apoiando o braço em seus quadris e repousando a mão em sua coxa direita.
Do chão ela podia ver as estrelas que iluminavam a noite e sentir o vento fresco que invadia a sala.
Sem espaço pra mais nada a não ser os dois, Tereza fechou os olhos e dormiu, enfim, pela primeira vez, nos últimos quatro dias.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
segunda de manhã (v. clarice)
Amanhece e ele ainda tem confetes nos cabelos. Amanhece e ela sente a marchinha no peito. O dia começa sem acabar e eles ainda têm a sensação do calor do último abraço. O perfume do pescoço dele deixou um rastro no vestido dela, o vestido que ela pendurou no armário escondido no meio dos outros para tentar contaminá-los. O dia se ilumina, amanhecer lilás aqui, vermelho lá, o mesmo sol, que banha o mesmo mar, que conecta os dois. Ele encantado com tudo o que vê. Ela obcecada por tudo que sente.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
segunda de manhã (v. tereza)
Amanhece e ele ainda tem confetes nos cabelos. Amanhece e ela sente a marchinha no peito. O dia começa sem acabar e eles ainda têm a sensação do calor do último abraço. Ele ainda sente ela descendo das pontas dos pés apoiando as mãos nos ossos de seus ombros, mordiscando o cantinho da boca tentando fingir um não sorriso. Ela tenta se lembrar de como era o gosto da saliva dele, mas ele fez tanto pouco caso dela antes de ir, que fez questão de esquecer.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
segunda de manhã
Amanhece e ele ainda tem confetes nos cabelos. Amanhece e ela sente a marchinha no peito. O dia começa sem acabar e eles ainda têm a sensação do calor do último abraço. O perfume do pescoço dela deixou um rastro na camisa dele, a camisa que ele vestiu o travesseiro assim que chegou. O dia se ilumina, amanhecer lilás aqui, vermelho lá, o mesmo sol, que banha o mesmo mar, que conecta os dois, que choram de suave e inesperada felicidade.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
até então
Ela sabia. Sabia que se casaria com ele, desde aquele domingo, Iansã em ebulição. Achou engraçado o jeito que ele fingia dançar, meio encabulado, meio desajeitado, quase desengonçado. E sorria, como sorria.
Ele sabia que se casaria com ela. Enamorou-se por seus tornozelos com pingentes. Desde aquele início de noite, de quase temporal. Ela tinha o sorriso mais bonito que ele já vira. E descobriu que já era apaixonado por ele mesmo antes de vê-lo pela primeira vez.
Ele sabia que se casaria com ela. Enamorou-se por seus tornozelos com pingentes. Desde aquele início de noite, de quase temporal. Ela tinha o sorriso mais bonito que ele já vira. E descobriu que já era apaixonado por ele mesmo antes de vê-lo pela primeira vez.
manual de boas maneiras
Me beija. Na boca. As mãos. A nuca. De frente. De lado. De manhã. Na cama. No canto da sala. No tapete. Entrando no cinema. Saindo do motel. Caminhando na praia no final do dia. Antes de dormir. Depois do baseado. Com gosto de café. Me abraça. Quando eu sorrir. Sempre que eu chorar. Se sentir vontade. Antes de sair. Embaixo do lençol. Depois do futebol. Segura minha mão. Desliza os dedos nas minhas costas. Até o cóccix. Eu gosto. Pode ser também cafuné de pé. Beijo de esquimó. Piscadinha de longe. Só pra mostrar que está ali.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
de mãos dadas
Fernanda achou estranho pensar nele antes de dormir. Mal podia esperar para a hora que lhe entregaria o pacote. Ela ficava imaginando o que ele traria dessa vez.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
vou festejar
Todos os dias desse ano. Os bons e os ruins. Os curtos e os longos. Vou festejar todas as festas, sorrisos, beijos e carinhos. Todas as lágrimas, angústias e saudades. Brindar todos os encontros programados e mais ainda os inesperados. Rir de todas as mágoas. Chorar de todas as bençãos.
Renovação total. Mudanças, desafios, dúvidas, lições pra encararar mais um turno. A ilusão de um ano novo que ajuda no reinício, motiva e inspira.
Vou festejar então.
Por ter experimentado a vida e a morte.
Por ter conhecido pessoas incríveis.
Visto lugares maravilhosos.
Por ter reencontrados sentimentos esquecidos.
Pessoas que estavam tão perto e tão longe.
Por ter conhecido a felicidade em estado bruto.
Por ter me decepcionado.
Mais uma vez e sempre.
Por ter me apaixonado, mais de uma vez.
Por estar apaixonada.
Por estar amando.
Por estar vivendo.
Vou festejar e chorar nesse fim de ano.
E me lembrar de tudo o que senti, provei, aprovei e reprovei.
E vou festejar tudo que ainda está por vir e o friozinho na barriga que dá não saber exatamente o quê.
2010.
Renovação total. Mudanças, desafios, dúvidas, lições pra encararar mais um turno. A ilusão de um ano novo que ajuda no reinício, motiva e inspira.
Vou festejar então.
Por ter experimentado a vida e a morte.
Por ter conhecido pessoas incríveis.
Visto lugares maravilhosos.
Por ter reencontrados sentimentos esquecidos.
Pessoas que estavam tão perto e tão longe.
Por ter conhecido a felicidade em estado bruto.
Por ter me decepcionado.
Mais uma vez e sempre.
Por ter me apaixonado, mais de uma vez.
Por estar apaixonada.
Por estar amando.
Por estar vivendo.
Vou festejar e chorar nesse fim de ano.
E me lembrar de tudo o que senti, provei, aprovei e reprovei.
E vou festejar tudo que ainda está por vir e o friozinho na barriga que dá não saber exatamente o quê.
2010.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
flor
Quando Clarice não achava possível que pudesse existir algo assim, descobriu que havia alguém além dela que podia entender o quão chato é ter que se repetir. Mais ainda, como as pessoas podem se tornar tão incômodas e irreconhecíveis de um dia para outro, como se falassem um idioma desconhecido e impossível de ser traduzido. Pela primeira vez, reconheceu em outra pessoa o desfrute da conquista e a repulsa ao prêmio vencido. Aliás, há de ser ressaltado: quanto mais árduo o combate, maior a indiferença após a vitória.
Não obstante o falatório geral, não houve santo que tirasse da cabeça de Alice que as histórias que corriam por aí tinham um quê de mal contadas. E, então, descobriu que não era bem assim que a banda tocava. Literalmente. Ademais, em favor das duas e em desfavor do restante, encontraram-se em uma sintonia talvez inédita. Três passos para frente, um para trás, sempre com um pézinho fincado em terra firme, foram aos poucos aparando arestas invisíveis. Quando se deram conta, passaram a confidenciar o que até então foram levadas a crer serem banalidades.
Clarice e Alice.
Não têm paciência para a inércia, mas muitas vezes se acham incapazes de sair dela.
Não sabem se compram uma TV ou se andam de bicicleta.
Juram que lealdade e fidelidade não são a mesma coisa.
Têm vontade de sair correndo quando ouvem uma música que amam.
Querem ficar sós, mas se sentem como um cão sarnento por acharem que não têm amigos.
Se apaixonam rápido e se desapaixonam mais rápido ainda.
Fazem as pessoas se apaixonarem por elas. E juram que não é por querer.
Provocam amor e ódio simultaneamente.
Estão sempre em ponto de ebulição.
Detestam o óbvio.
Atraem-se pelo excêntrico.
Clarice e Alice.
Separadas no nascimento?
(F)
Não obstante o falatório geral, não houve santo que tirasse da cabeça de Alice que as histórias que corriam por aí tinham um quê de mal contadas. E, então, descobriu que não era bem assim que a banda tocava. Literalmente. Ademais, em favor das duas e em desfavor do restante, encontraram-se em uma sintonia talvez inédita. Três passos para frente, um para trás, sempre com um pézinho fincado em terra firme, foram aos poucos aparando arestas invisíveis. Quando se deram conta, passaram a confidenciar o que até então foram levadas a crer serem banalidades.
Clarice e Alice.
Não têm paciência para a inércia, mas muitas vezes se acham incapazes de sair dela.
Não sabem se compram uma TV ou se andam de bicicleta.
Juram que lealdade e fidelidade não são a mesma coisa.
Têm vontade de sair correndo quando ouvem uma música que amam.
Querem ficar sós, mas se sentem como um cão sarnento por acharem que não têm amigos.
Se apaixonam rápido e se desapaixonam mais rápido ainda.
Fazem as pessoas se apaixonarem por elas. E juram que não é por querer.
Provocam amor e ódio simultaneamente.
Estão sempre em ponto de ebulição.
Detestam o óbvio.
Atraem-se pelo excêntrico.
Clarice e Alice.
Separadas no nascimento?
(F)
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
dois cafés com açúcar
Fernanda andava distraída pelo centro da cidade, o olhar velado pelo hábito. Olhou e não viu. De repente, voltou atrás. Virou para o lado direito e entristeceu ao ver o bar em obras. Chegou a por a mão na bolsa à procura do telefone, os dedos coçando para discar para ele, mas não podia.
Era prali que eles fugiam depois do almoço, tomavam um café requentado que ele teimava em dizer que era o melhor dos arredores e fumavam um ou dois cigarros, quando tinham um pouco mais de tempo. Falavam sobre tudo, sobre nada, se amavam e se odiavam.
Foi ali que ela se sentou pela primeira vez com ele, quando ainda nem sabia andar pelo centro. E deu uma tristeza saber que além deles, o bar também não iria mais existir, não da mesma forma que antes.
Ela se deu conta, então, de que fotografa lugares por onde passa, guarda reportagens que lê, decora letras de músicas inteiras, compra livros e assiste a filmes sempre que tem vontade de estar com ele, numa tentativa vazia de compartilhar sozinha um momento deles dois.
Uma maneira leviana de matar as saudades.
E de sentir, por um segundo que seja, aquela completude que só ele proporcionava.
Era prali que eles fugiam depois do almoço, tomavam um café requentado que ele teimava em dizer que era o melhor dos arredores e fumavam um ou dois cigarros, quando tinham um pouco mais de tempo. Falavam sobre tudo, sobre nada, se amavam e se odiavam.
Foi ali que ela se sentou pela primeira vez com ele, quando ainda nem sabia andar pelo centro. E deu uma tristeza saber que além deles, o bar também não iria mais existir, não da mesma forma que antes.
Ela se deu conta, então, de que fotografa lugares por onde passa, guarda reportagens que lê, decora letras de músicas inteiras, compra livros e assiste a filmes sempre que tem vontade de estar com ele, numa tentativa vazia de compartilhar sozinha um momento deles dois.
Uma maneira leviana de matar as saudades.
E de sentir, por um segundo que seja, aquela completude que só ele proporcionava.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
por onde anda minha Tereza?
Tereza não acredita nas coisas que ele diz. Ainda não tem certeza se faz isso por não querer aceitar que ele é mesmo diferente dela, por achar que ele é ainda muito novo ou porque talvez ainda não tenha podido ser ele mesmo. Amarras das quais se livrou há tanto tempo que já não se lembra mais de como era ter que se preocupar com o que os outros pensam.
Ela busca no desvio do olhar que ele dá quando se encabula uma nesga de verdade. Acha. E vê que ele se desconcerta, que ela o faz cair desse pedestal que ele construiu para ser notado, mesmo que somente pelos espelhos que projeta de todos os lados.
Tudo que ela pensa é em como ele seria mais alto e mais bonito daqui de baixo. Mais verdadeiro e menos vulgar. Menos forçado, menos banal.
Tereza gosta do jeito que ele morde o lábio de baixo quando pensa em beijá-la. Ela sempre pisca de leve o olho esquerdo só pra ele se certificar de que ela o entendeu. Ela gosta da virilidade do corpo jovem, do jeito sem jeito que ele reage quando eles se esbarram, jamais sem querer. É isso.
Tereza adora o jeito como eles fingem coincidências.
Ela busca no desvio do olhar que ele dá quando se encabula uma nesga de verdade. Acha. E vê que ele se desconcerta, que ela o faz cair desse pedestal que ele construiu para ser notado, mesmo que somente pelos espelhos que projeta de todos os lados.
Tudo que ela pensa é em como ele seria mais alto e mais bonito daqui de baixo. Mais verdadeiro e menos vulgar. Menos forçado, menos banal.
Tereza gosta do jeito que ele morde o lábio de baixo quando pensa em beijá-la. Ela sempre pisca de leve o olho esquerdo só pra ele se certificar de que ela o entendeu. Ela gosta da virilidade do corpo jovem, do jeito sem jeito que ele reage quando eles se esbarram, jamais sem querer. É isso.
Tereza adora o jeito como eles fingem coincidências.
domingo, 25 de outubro de 2009
samba e amor
Fernanda ouvia o samba se esvair pelas escadas enquanto tentava encontrar uma resposta para a garganta entalada que já sentia há dias. Por um segundo, conseguiu se sentir livre novamente, como já não se sentia há muito tempo.
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