É isso. Você tem gosto de maçã com canela e foi por isso que me dei conta de que já tinha dormido com você.
terça-feira, 21 de julho de 2009
sem prazo dessa vez
É isso. Você tem gosto de maçã com canela e foi por isso que me dei conta de que já tinha dormido com você.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
turma de três
Hoje é dia do amigo. Prefiro dizer, que hoje é o dia dos vértices. Desse triângulo às vezes retângulo, às vezes eqüilátero; mas o que importa, na verdade, é que ele nunca vira uma reta. Nem um círculo. E nessa matemática vamos mantendo esse vínculo distinto.
No fundo parece que demos as mãos pra nos restringirmos às coisas que nos constroem como indivíduos e não ao que nos rodeia. O que está fora, permanece fora, não porque não importa ou porque não influencia, mas simplesmente porque não tem espaço. Porque esse triângulo é nosso. Das nossas bobeiras, idéias, putarias, sonhos, desejos, dos nossos passados, da nossa troca.
E foi tão assim, sem querer, que quando vi, já não tinha mais jeito, não dava mais pra sair.
Um post para os vértices, representando, hoje, todos os amigos de sempre.
segunda-feira
Foi antes do chá preto da manhã, quando comprava os biscoitos pra acompanhá-lo, que Luiza voltou pra sua vida. Assim, sem mais. Desenrolou o cachecol do pescoço, livrando-se dos teimosos cachos, já sorrindo pro rapaz franzino do balcão, pedindo uma média e acendendo um cigarro.
Já eram tantos anos desde aquele dia do portão, que Clarice tremeu e gelou só com a idéia de que Luiza não se lembraria dela.
Mas como Luiza poderia esquecer aqueles olhos?
sábado, 18 de julho de 2009
me sufoca
Ele olhou pras unhas dos pés dela pintadas de vermelho sangue, sem desgrudar os olhos, e disse surpreso Eu não sabia que você fumava.
E ela displicente Eu não fumo. Você quer um também?
segunda-feira, 22 de junho de 2009
o (meu) relógio da (sua) cozinha
Mas teve um dia em que Fernanda se entregou, perdeu o juízo, sem motivo aparente ou sem precedentes, descobriu que amava Flavia. Não era só uma curtição de bebedeira, ou uma sensação diferente. Ela queria ficar junto, andar de mãos dadas na rua, dar beijo na praça e tomar uma média na padaria. Ela queria dormir grudado, acordar embaixo da coberta, dividir os pijamas e fazer picnic.
A Fernanda não escolheu o melhor jeito de contar isso pra ela, mas, no final, de certa forma, até que funcionou. A Flavia foi pra parede, com as mãos da Fernanda grudadas entre ela. Não sabia se tentava prender a outra ou se se segurava pra não cair. E tudo veio como uma avalanche e elas lá no topo de mãos dadas, só olhando.
E dias depois, a Fernanda recuou e a Flavia cedeu, se esqueceu de todo o resto, e só se ouviam os corações descompassados que quase estouravam e afogavam as duas de dentro para fora.
Então, um dia, a Flavia decidiu que não ia se decidir e resolveu que não ia continuar. Ela preferiu enganar todo mundo, ela e a Fernanda, e tomou sua decisão. E Fernanda não entendeu, não aceitou, chorou e não dormiu por dias seguidos. E a Flavia plácida e impávida, não mexia um músculo do rosto.
A Flavia voltou pra realidade dela e a Fernanda mudou de realidade.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
quarta-feira, 17 de junho de 2009
itália (fim)
Chegou. Jogou o casaco no encosto da cadeira e tirou os tênis usando os próprios pés. Pegou um copo d'água gelada e virou quase num gole só.
Quando finalmente se jogou no sofá, apoiou os pés numa almofada e notou que uma das meias tinha uma mancha escura.
Preciso parar um pouco. Talvez de querer ser todos e não ser nenhum. De parar pra pensar em tudo e tentar achar motivos para não pensar em nada. Parar de me preocupar com o que já passou e dar valor ao que vivi. E não foi pouco. Mas quando tento me lembrar, acho tudo tão distante, que quase não vejo sentido para a maioria das coisas.
Como é chato lembrar só dos primeiros. Primeiro dia na escola, primeiro beijo, primeira transa, primeiro porre, primeiro fora, primeiro salário, primeiro amor.
Aí chega uma hora, que a gente já fez tanta coisa, que começa a repetir. Primeiro dia na escola nova, primeiro beijo ralado, primeira transa com mulher, primeiro porre com amnésia, primeiro fora-fossa, primeiro salário de férias.
Pois é. O amor continua sempre sendo o primeiro, toda vez que a gente esbarra com ele.
terça-feira, 16 de junho de 2009
dança da solidão
Ficou louca, socou as paredes, virou noites em lugares que nem lembra, tentando fugir da realidade que a engolia. Ela se meteu em todas as roubadas, em milhares de furadas, fingiu pros outros e pra si mesma. Muitas vezes quase acreditou.
No entanto, só ela sabe o esforço que fazia para se sentir acolhida ao lado de tantos outros caras.
Ela fazia isso pra se convencer de que alguém também lhe dava carinho. Ela fez isso diversas vezes e só ela sabe o que era chegar em casa, depois de uma noite de trepada, e chorar baixinho, fingindo não se importar com o Beto na cama com a outra e uma garrafa de vinho vazia jogada no chão.
Ela sofria porque sabia que nada que fizesse mudaria o fato de que ela não era amada por mais ninguém.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
gabriel
Secou os pés no capacho que lhe dava as boas-vindas, enterrou os anéis de cabelos atrás das orelhas, reparou que estava sem um dos brincos, secou o rosto e ainda hesitou por alguns segundos em enfiar a chave na porta. Girou com cuidado a fechadura enferrujada e empurrou a porta sem pressa. Conseguiu não fazer barulho até tropeçar na ponta do tapete enrolada perto do sofá.
Passou pelo corredor, as pontas dos pés flutuando rangendo os tacos. Entrou no quarto, jogou os sapatos embaixo da cama, deslizou por baixo dos lencóis gelados e deitou-se de costas para Gabriel. O frio de seu corpo fez com que ele se mexesse um pouco, mas não o despertou; foi o suficiente para ele saber que ela estava ali.
Clarice não conseguia pregar os olhos. Tentava esconder as mãos ainda úmidas da garoa embaixo do travesseiro ou entre as pernas.
Pensou no homem de calças compridas abrindo a padaria, no gari tentando descolar o cartaz do poste de luz, na senhora encolhida passeando um cão com roupa e sapatos agarrada a um cigarro amassado de filtro amarelo e nas mãos pequenas e brancas de Luiza passeando no braço do sofá vermelho até encostarem nas suas.
domingo, 31 de maio de 2009
itália
sábado, 30 de maio de 2009
beto
Um dia Tereza começou a querer o Beto, mas o Beto não podia querer a Tereza. Aí a Tereza saiu com o Carlos, com o João, com o Leo e com o Guilherme, e nem sabia por onde o Beto andava.
No fim, a Tereza ficou com o Beto, depois não mais, porque foram uns tontos. A Tereza sempre achava que os outros eram mais carinhosos que o Beto, e o Beto sempre achava as outras simplesmente as outras.
Aí um dia a Tereza viu o Beto com outra e achou que ele era o cara mais carinhoso do mundo. O Beto olhou pra Tereza e achou que a Tereza agora fazia parte das outras.
terça-feira, 26 de maio de 2009
301
Em frente, tinha uma janela dessas de abrir para o lado de fora do cômodo. Um dos vidros estava faltando um bom pedaço e ela É bom que sempre refresca. Na parede da direita se via um sofá vermelho em "L" que ficava um assento embaixo da janela. Ela disse que ali era seu canto preferido porque podia apoiar o cinzeiro e o que estivesse bebendo no parapeito de mármore enquanto assistia à TV ou via o movimento da rua.
quarta-feira, 20 de maio de 2009
bom dia, Tereza
Começou a catar as roupas pelo carpete imundo. Caralho, cadê minha calcinha? Olhou para os lados e se perguntou como conseguiu trepar num lugar azul daquele jeito. Tudo era azul: o papel de parede rasgado, os lençóis, as flores, até o banheiro era todo azul. Porra, Tereza, isso é hora de cismar com a cor do quarto?
Estava ficando enjoada com aquele cheiro e não achava a calcinha. Foda-se, vou sem. Olhou-se no espelho e congelou. Ficou chocada com seu estado. O olho continuava preto do lápis derretido, mas agora descia pelas olheiras. Tinha umas marcas de dedos no pescoço e do lado esquerdo do rosto, de um jeito que parecia um mapa de sangue pisado. Mas que merda hein, Tereza? Haja pó pra cobrir essa porra! Tentou abaixar o cabelo, mas não deu muito jeito.
Cacete, onde foi parar minha calcinha?! Ai.
Tereza ficou na dúvida se acordava o otário ou não. Otário dormia bêbado babando no travesseiro com a bunda pro alto. Que bunda gostosa hein, Otário? Ela ficou na dúvida também se ajudava com uma grana pra pagar o quarto e tal, mas olhou em volta e pensou que, pelo azul, não ia sair tão caro assim.
Ele paga sozinho.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
mais uma dose pelamordedeus (versão Tereza)
Virou o copo e pediu a 5ª dose de cachaça da última hora. Boteco barato, um calor do caralho e Tereza lá. Não desistia de se torturar. Vergonha infinita. Teimava que ainda tinha alguma coisa pra chorar de ódio. Mas não tinha. E ela transformava as lágrimas desejadas em doses e doses de cana.
Olhou pro primeiro otário que apareceu e deu pra ele. Só pra acordar de manhã com ainda mais culpa.
mi amore
Ele estava deitado de bruços ao lado dela, sem camisa numa cama branca, grande e macia. O rosto virado para o outro lado, deixava virados pra ela os fios pretíssimos dos cabelos que escorriam um tanto compridos pelo travesseiro.
Ela via o sol radiante e desfilava as pontas dos dedos no sulco das costas dele até ser cerceada pelo lençol que o cobria, quando ele se virou para ela abrindo um olho de cada vez.
Até agora foi só isso que ela conseguiu e, às vezes, pensa que é melhor assim. Saber que não pode. Tocar e não pegar. Fingir que é brincadeira. Desculpas esdrúxulas. Fernanda prefere desfrutar o jogo, sem pressa para conquistar a vitória. Até porque quando alguém ganha, o jogo acaba e aí acabam também a vontade de se arrumar antes de sair, o vazio no peito quando vê e as borboletinhas no estômago que chegam a tirar sua fome.
Se ela ganhar, acabou a incerteza, a dúvida, a liberdade, o fingir que não está entendendo o que acontece, os beijinhos de canto. Tudo passa a fazer parte da realidade, surgem as dúvidas, as obrigações e os questionamentos. E, então, Fernanda não sonha mais, o desconhecido se esgota em muito pouco tempo, ela se entedia novamente e se lembra de que gosta dele, mas que também gosta de muitas outras pessoas.
mais uma dose pelamordedeus
Enquanto ajeitava o vestido, arrumava os cabelos e tentava achar um beck na bolsa revirada, tentava ainda decidir o que ia dizer pra ela.
sábado, 16 de maio de 2009
silencio
Hoje
Clarice precisa beber,
Tereza se cansou de enxugar as lágrimas
e
Fernanda decidiu se apaixonar.
crónica realista
En frente del restaurante Bon Profit hay unos bancos verdes para sentarse. Mi mendigo pasa la mayor parte del día acostado en los bancos y creo que hay uno que le gusta más. Siempre que lo veo está fumando un cigarillo y en la otra mano sujeta otro apagado. Lo que me llama la atención es que tiene siempre una sonrisa en la cara, no tán corriente en la cara de las personas que caminan por allí. Además, parece relajado todo el tiempo, como si no tuviese que preocuparse por nada, aparte de los próximos cigarillos que fumará al largo del día.
quarta-feira, 13 de maio de 2009
Meursault
Compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia poderia sem dificuldades passar cem anos numa prisão. Teria recordações suficientes para não se entediar. De certo modo, isso era uma vantagem."
terça-feira, 28 de abril de 2009
ignorance is bliss
sexta-feira, 17 de abril de 2009
hoje a insônia é minha
Desistiu. Levantou, lançou um naco de queijo minas numa torrada - o estômago já começava a reclamar - e ficou olhando pela janela. E lembrou-se das coisas que estava pensando enquanto deitada na cama tentava pegar no sono.
Lá na cama incômoda, se virou, virou o colchão ao contrário - cismou que o colchão estava viciado - trocou o travesseiro de lado. Dentro em pouco, se viu pensando em sair do corpo para tentar encontrar seu apaixonado. Pensou nele, na casa e na cama dele. Sentiu até o corpo um tantinho dormente, estou desdobrando, depois caiu na real e viu que estava era tendo uns cacarecos de tanto analgésico que tomou. Estou ficando louca mesmo.
E por aí pensou mais. Pensou aquém e além. Pensou que se cansou, no filme a que irá assistir no cinema, no filho que não teve, na amiga que acha que está tirando vantagem, nos dias livres que estão por vir, nas viagens que não conseguirá fazer, nas desculpas que dará, nos abraços que ficarão guardados, nos beijos que nunca serão selados, e na porra da Neosaldina que tirou seu sono pelas próximas horas.
segunda-feira, 13 de abril de 2009
sessão de domingo
Olhou bem direto sua imagem e se deu conta de como o frio a faz pensar diferente.
sábado, 11 de abril de 2009
episódio 01
Quando Clarice resolveu se levantar parecia ser tarde demais. E ficou sem saber o que ia fazer com tanto azul daquele céu. Aí ela percebeu que já tinha visto outros céus talvez até mais azuis do que este, mas que hoje até o esmalte das unhas dos pés parecia mais vermelho e bonito.
domingo, 22 de março de 2009
perdoando deus
sábado, 21 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
vou de táxi...
Tô lá, lendo a Época, fingindo que adianta muito. De repente, olhei pros lados e pensei: "Putaqueopariu-on-co-tô?" (4 x 2) Placa: Av. Nova York. Jesus. É pior do que eu pensava. Daí vi uma loja e concluí que era algo próximo ou Bonsucesso itself. A onda Dinho começou a bater e eu pensava: "Fo-deu". Enfim, fechei a revista e tentei mentalizar a Receita Federal pra ver se chegava mais rápido. Foi quando eu vi a placa: "Vigário Geral". Morri! (5 x 2). Aí lembrei das granadas e cheguei à conclusão de que pelo menos estaria no arcondicionado. Passou mais tempo, chegamos. Peraí. On-co-tô? Isso é Caxias? Ai não gente; eu só conheço a rua da pracinha. "Moço, como eu chego daqui na Receita Federal? QUÊ? VIADUTO?!". (6 x 2) Nenhum táxi. (7 x 2) Absolutamente. NE-NHUM. Dinho me visitou novamente, saí andando, parei numa padaria e perguntei pra mulher que me mandou atravessar o viaduto.
Lá fui eu. Atravessei. Parecia que o viaduto me levava pra outro mundo, tal a diferença entre os dois lados. Foi quando eu me achei e vi a Receita! Eba. (7 x 3) Não foi tão difícil. Peraí. "Isso é fila?" Era. A fila pra pegar senha estava NA RUA. (8 x 3) Ok. 30 minutos na fila. "Ah, só tem senha pra 13:15? Não, não. Tudo bem. Que horas são? 11:22h. Não, não. Tá ótemo!" (9 x 3) Bom preciso fazer hora vou dar uma voltinha em Caxias. Uau! Sebo itinerante na pracinha de Caxias! (9 x 4) Passei pelas barraquinhas. Logo na primeira vários da Clarice por R$10, R$15. A paixão segundo G.H.. (9 x 5) Eba. Agora eu consigo ler um livro dela. Que vergonha. Vou levar uns 3 logo. Resolvi dar mais uma voltinha, vi vários outros livrinhos interessantes por ótimo preço. "Vou ao banco porque R$20 não será o suficiente". Notei o céu um tiquinho nublado e umas gotinhas tímidas começaram a fazer uma cosquinha. "Bom que refresca".
Voltei pra barraquinha inicial. "Moço, tinha um livro aqui agora pouco..." "A paixão segundo G.H.? Logo que você saiu um rapaz veio aqui e levou" (10 x 5) "QUE??? MENTIRA! NÃO É POSSÍVEL! NÃO TEM OUTRO?" "Não, era o último" (11 x 5) Meu Deus. Que mais falta me acontecer? Foi aí que começou a tempestade do século, vindo chuva e vento por todos os lados, eu com o dinheiro na mão pra pagar os outros 2 livros dela que ia levar pra compensar, tentando me proteger dos raios embaixo da tenda e não me molhar tanto.
Quando eu vi que não ia adiantar muita coisa, caí na real, aceitei o dia Maysa, parei de contabilizar (43728947239 x 5), ajudei o cara a recolher os livros quase tão molhados quanto eu, e decidi que, com granada ou sem granada, eu vou mesmo é de Limousine.
Ou então vou com a Angélica mesmo.
quarta-feira, 18 de março de 2009
terça-feira, 17 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
não quero
Alô?
crepe de nutella
domingo, 15 de março de 2009
S2
Ontem eu bem lembrei. Passear no shopping, se encontrar pra tomar um sorvete diferente, levar bronca, andar abraçado, ganhar cafuné, mudar de assunto porque tá chato, sentir saudade do cheirinho do shampoo.
São 11 anos de convivência, 9 anos de música, 7 de parceria, 6 de paixão incondicional, 6 da primeira briga, 5 da primeira reconciliação, e muitos, muitos anos ainda que eu vou te abraçar e lembrar que não estou sozinha.
sexta-feira, 13 de março de 2009
quinta-feira, 12 de março de 2009
o homem que confundiu sua mulher com um chapéu
quarta-feira, 11 de março de 2009
minha aventura
Nas paredes escrevia o seu nome
Pra tentar esquecer
No espelho assistia à própria dor
De lembrar
Na sala vazia, a televisão ligada,
Uma tentação de existir
Na cama, sem dono, perguntava
Como tudo foi acabar
Minha aventura
Pra onde você foi?
Pra onde você vai?
Se ao menos, tanta coisa que se
Vive junto não evaporasse assim
Se, ao menos, na hora dela me deixar
Precisasse um pouco mais de mim
Se, ao menos, no escuro eu
Conseguisse apagar
Dormir sem sonhar, apenas
Dormir sem sonhar...
Minha aventura,
Pra onde você foi?
segunda-feira, 9 de março de 2009
abra los ojos
Pára tempo!
Acorda.
quinta-feira, 5 de março de 2009
oh take me back to the start
how do you live as a fugitive?
terça-feira, 3 de março de 2009
let me take you down
And cut you like you want me to
Cut that little child
Inside of me and such a part of you
Ooh, the years burn
Ooh, the years burn
I used to be a little boy
So old in my shoes
And what I choose is my choice
What's a boy supposed to do?
The killer in me is the killer in you
My love
I send this smile over to you
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
pure lunacy
terça-feira, 5 de agosto de 2008
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
¬¬
"Acho que vou abrir a calça um pouquinho..."
BAD BAD IDEA, LOSER!
tuuu-tuuu (telefone toca. chamada interna.)
- Alô.
- Oi, sou eu. (BIA)
- Fala, monstra.
- Vou mandar imprimir umas paradas aqui da faculdade... Pega pra mim aê!
- Não, manda agora não que tem gente lá...
- Tá.
- ...
- ...
- Tá, pode mandar.
vvvvv... vvvvv... (imprime)
- Esse aqui é o seu blog?
- É pô.
- Você escreve anonimamente?
- Não, Bia. Tá vendo a foto da bunda da Mischa Barton?
- Hã...
- Tem uma fotinho minha do lado...
- Ah, é...
- Sua múmia.
- AEHUHEUAEAEHUEA... Vou mandar o resto...
- Tá.
vvvvv... vvvvv... (imprime)
(olho para o lado, Paty-fofoqueira na impressora)
- Ih CARALHO!Peraí...
(largo telefone)
(levanto correndo - OBS: calça aberta + calcinha BEGE aparecendo.)
(o chefe sai da sala na minha direção)
¬¬
- Tá, Bia, peguei já.
- Valeeeu.
¬¬³
toc toc toc toc (salto da Bia)
- Bia, QUE QUE TU TA FAZENDO AQUI EM CIMA?
¬¬³²³²³²³²
menos 3?
Pois bem. Lá estava eu. Tentando ler o 3º best-seller do mês, de pé, um pouco apertada entre as pessoas. E foi quando eu reparei.
Em um dos bancos cor de laranja, um senhor de uns 60 e poucos anos segurava uma menina no colo. Dormia tranqüila com a cabeça encostada no ombro dele, totalmente alheia ao cansaço ao redor. Ele passava mão em seus pouquinhos fios de cabelo fininhos de bebê. Uns 5 minutos depois eu notei que faltavam na mão dele as primeiras falanges de 3 dedos - polegar, indicador e médio.
Mas,
que diferença isso faz(ia) para ela?
terça-feira, 29 de julho de 2008
na capela
2. você tem 8 anos e está na capela da sua escola de freiras.
3. você tem 8 anos, está na capela da sua escola de freiras e são 13:30h da tarde.
"Vamos fazer um exercício de meditação. Feche os olhos. Você vê uma casa. Você vai lentamente entrando na casa..."
Sou eu. Sou eu de pé, mas não me lembro a minha altura. Provavelmente mais alta do que eu era. Eu olho pros lados e vejo. Uma floresta e um pedaço descampado. E no meio a casa. Era uma casa pequena e amarela com um telhado de telhas que de tão novas eram quase vermelhas. Agora não tenho certeza da cor das paredes. Tudo bem, eu chego até a porta. É uma porta de madeira e quando eu a abro vejo que do outro lado da casa na mesma direção também tem uma porta que está aberta. Vejo a luz entrando fazendo um reflexo meio de lado, formando um corredor. Eu olho e me vejo de pé do outro lado.
"Vá entrando em todos os cômodos da casa..."
Eu ando. Viro para a esquerda e vejo um quarto não muito grande e decido entrar. Tem uma cama de casal, com uma colcha de patchwork claro, um armário antigo e uma penteadeira. Tudo em madeira clara com nós castanhos. A cortina é verde claro. Eu saio. Entro no quarto em frente. Nada. Olho pro lado. Nada. Tudo é branco brilhante. Decido sair pra não me cegar com aquela claridade.
Abro os olhos por um segundo, como se tentasse fugir um pouquinho da luz e estou de novo na capela. Todos estão de olhos fechados, inclusive a professora-irmã. Pela báscula no alto da parede eu vejo o sol tinindo lá fora e uns pombos no telhado. Olho ao redor e vejo umas imagens. Só elas e eu tinham os olhos abertos. Encarei-as, mas acho que elas não gostaram muito.
Fugi do branco e segui em frente. Me vi de novo diante da porta dos fundos, mas já não havia ninguém lá de pé. Quando passei do portal, vi um campo de flores e a floresta lá no fundo. Eram tantas flores que por pouco não notei uma pessoa sentada no meio delas. Fui andando tentando não machucar as pétalas. Vi uns cachos escuros e uma camisa branca e vi meus dedinhos se esticando pra encostar neles.
"Agora vamos relaxar e nos concentrar na luz que entra pela janela..."
Luz? Que luz? Janela? Não. Ei. Peraí.
4. você tem 8 anos, não se esqueça.
domingo, 25 de maio de 2008
in the back seat
quinta-feira, 22 de maio de 2008
então
*
E quando o cachorro latiu lá fora, já sabia o que lhe esperava. Um pedido de desculpas gordo de tanto pesar, mas que já não surtiria mais efeito algum. Porque depois de tantas vezes ralar o mesmo joelho, abrindo a ferida sem mesmo curá-la, não haveria mais remédio que pudesse fechar a carne viva sangrando.
*
E quando sentiu o cheiro de café, levantou correndo da cama. Ao entrar na cozinha, a viu. Os cabelos molhados ainda pingavam na camisa que roubara caída no chão do quarto e que a engolia fazendo quase um vestido. E não esperava nada mais a não ser que ela pulasse em seu pescoço, cruzando as pernas ao redor de sua cintura, com o gosto do café melado e da manteiga que escorria do pão.
*
E quando chegou em casa quase não pôde acreditar. Os armários vazios não deixavam dúvidas de que realmente havia partido. Sem volta. Sem retorno. Sem adeus. Sem olhar de despedida. Sem gritos. Sem ofensas. Sem última transa. Sem levar os vícios, as viagens, os sorrisos e o par de chinelos verdes de que tanto gostava.
*
E quando o ano virou as lágrimas escorreram sem entender o porquê. Olhou para os lados, viu todos e não reconheceu ninguém. Talvez porque os olhos estavam turvos. Mas muito mais provavelmente porque sabia que faltava alguém que ainda iria conhecer.
terça-feira, 13 de maio de 2008
constantly talking isn't necessarily communicating
¬¬
quinta-feira, 8 de maio de 2008
and here we go again
Eu tenho um casal de irmãos que são a minha família. Amo vacas. Gosto de dançar e de ouvir música. Gosto também de teatro, mas não tanto quanto gostaria. Prefiro o cinema. Adoro dramas. Talvez para não me sentir tão só na minha melancolia. Ela me persegue. Adoro. Gosto de dias de outono como os dessa semana.
Eu sempre acho que não tenho amigos, mas no fundo eu tenho. Eu só cobro demais deles. Na verdade, eu cobro demais de mim mesma. Eu crio verdades e as sigo. Sabe como é, "uma mentira repetida com veemência...". Eu não me permito. Crio barreiras. Tenho paciência com quem não merece. Tenho mania de cuidar dos outros; sentimento materno maldito.
Finjo que sou forte pra caralho. Sou insegura. Pra caralho também.
Fiz uma dieta. HOHOHOHO! Estava gordona e perdi 8kg. Até que perdi mais do que imaginava. Agora nem lembro mais de como era estar com aqueles bracinhos gorduchos. Mas só consegui por causa da Maulinha. Ela me incentivou.
Eu adoro viajar, mas também não viajo tanto quanto gostaria. Nunca andei de avião e também não faço idéia de quando isso irá acontecer.
Eu levei 6 pontos na mão direita quando eu tinha 3 anos. Escorreguei numa microgotícula de água e cai com um copo de vidro na mão. Nunca quebrei nenhum osso, mas tenho um dedo meio tortinho na mão direita. Jogando basquete. Sinto falta de jogar. Aliás, sinto falta de ter 14 anos, mas isso é passado.
Tenho fumado demais essas semanas e isso não é NADA legal. Eu gosto de fumar; tem gente que não acredita.
Eu fui apaixonada por um professor na faculdade. Mas eu tinha 19 anos e ele é gay. Foi uma das poucas matérias que eu prestei atenção na PUC. Acho errado esse negócio de ter que entrar na faculdade com 17 anos. Eu hoje sou bem mais feliz estudando e não é só porque descobri algo para que tenho talento. É porque nada paga o tempo e as coisas pelas quais a gente passa.
É eu acho que tenho talento. Na verdade, são poucas as coisas que eu acho que faço bem. Essa eu ainda não faço, mas em 3 anos estarei lá assinando petições. Eu não gosto de ser elogiada, mas gosto de ser reconhecida. Não é a mesma coisa. Até porque, nem sempre um elogio é verdadeiro, enquanto o reconhecimento não necessariamente se traduz em palavras.
Não gosto de emprestar minhas coisas, a não ser que EU ofereça. Ou que eu esteja de bom humor. Durmo tarde e não consigo acordar cedo. Tenho medo de escuro e não gosto de dormir sozinha no quarto com a luz apagada. Eu me escondo com meu cobertor. Ele é super poderoso e sempre me salva das almas penadas.
Não uso saltos. Acho deselegante e machuca meus pezinhos 39. Além disso, não sei andar muito bem em cima deles. Prefiro os tênis. São macios e quentinhos.
Falo inglês razoavelmente bem e fingi ser professora por dois anos. Aprendi muito mais do que ensinei. Estava estudando espanhol, mas vou dar preferência ao francês semestre que vem. Um dia, oxalá, falarei inglês, francês, espanhol, alemão e italiano. Planos para um futuro bem distante.
Não uso cabelo comprido. Sinto muito calor. Cortei a primeira vez aos 14 e em 10 anos só deixei crescer uma vez. É uma briga, porque as opiniões se dividem, "curto é melhor", "comprido é mais bonito". No momento, estou escolhendo o mais prático.
Não sei falar de mim. Só contar causos. Só consigo mesmo com a minha querida psicóloga, mas, no momento, não estou podendo ir. Contenção de despesas. Duas sessões por semana está meio caro.
Sou louca por palavras cruzadas e amo ler. Choro e tudo. Compro livros que ficam na estante por anos, até que um belo dia ele esteja maduro pra eu poder ler. Eu roubo livros dos outros, mas nem é por querer. Os livros me adotam. As pessoas se vão e eles ficam por aqui.
Detesto andar. Efeito Jaiminho. Eu sou filha do Jaiminho. Quando estou bem, gosto de ficar em casa. É até um termômetro. Quando não sinto vontade de sair, é porque estou bem. Eu acabo me bastando um pouco.
Sempre começo blogs. São uma ligeira válvula de escape.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
believe
I see you everyday. In my daily routine. In my clothes, my books, my cds. In places I visit. In songs I listen. In movies I watch. I pretend you are beside me and we are sharing that moment. I see you there. But you are not with me. I see you and I want to see you everyday. When I open my eyes at the very first hours in the morning and when I close them late at night. I want to see you as you really are. Every move, every touch. I want to see you not only with my eyes, but with my entire body. I want to see you again and again. I want to keep in my mind more than that smile you used to give me. That one that makes my heart so small and hot.
And why is that distance? How could you be so selfish? How can't you see all the things we're leaving behind and the ones we're missing? I knew I wouldn't stand long. That sooner or later i wouldn't handle this anymore.
Will it be fair?
terça-feira, 16 de outubro de 2007
so I disconnect
domingo, 30 de setembro de 2007
Lá lá lá lá-laiá...
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Então...
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
I wish I knew how to quit you
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É estranho encaixar na minha vida de cores opacas um dia cintilante. Minha cabeça processa as informações a uma velocidade próximo ao incrível e fica com aquele dia grudado lá passando como um filme bom que se repete por uma semana no mesmo canal de TV. Acho que no fundo é isso. Um filme bom que posso ver quantas vezes quiser. Que, dependendo de como eu estiver no dia, vou perceber um detalhe diferente, vou rir e chorar de diálogos diferentes; meu coração vai bater mais rápido em cenas diferentes. Mas, como todo bom filme, excita quando começa e deixa saudade quando acaba. Fica sempre preso ao que está ali. Nada mais, nem diverso, pode ser vivido, só o que já está ali. E esse limite que o filme traz dá um pânico, uma sensação de afogamento um não saber incômodo, do que aconteceria com aquelas personagens se alguma daquelas cenas que se repetem infinitamente pudessem ser mudadas; do que aconteceu com elas depois que o filme acabou; do que irá acontecer se houver uma parte dois.
Mas não tem parte dois. Não tem como mudar as cenas. Só dá para acelerar o filme, cortar as cenas. Assistir em câmera lenta. A história é sempre igual; o que muda são os efeitos que elas causam.




